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Prefeito de Florença é escolhido para formar novo governo

O jovem político Matteo Renzi, de 39 anos, tem a missão de construir um consenso político para ser indicado oficialmente como primeiro-ministro

Por Da Redação 17 fev 2014, 08h16

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, cumpriu com as expectativas e encarregou oficialmente nesta segunda-feira o prefeito de Florença, Matteo Renzi, de formar um novo governo para o país. Renzi, que também é líder da coalizão governista de centro-esquerda encabeçada pelo Partido Democrático (PD), deve assumir o cargo de primeiro-ministro após o antecessor Enrico Letta ter anunciado a sua renúncia nesta sexta-feira. O político, de apenas 39 anos, pode se tornar o mais jovem premiê da história do país caso ele consiga formar um governo de coalizão. Segundo a BBC, Renzi deve conseguir seu objetivo e ser oficialmente empossado como primeiro-ministro até quinta-feira. Acusado pela oposição de ser inexperiente, ele terá de trabalhar inicialmente para encontrar uma solução para as recorrentes crises políticas italianas, que dificultam a formação e a estabilidade de qualquer administração. Desde 1946, o país teve mais de sessenta governos diferentes.

Histórico – Nascido em 11 de janeiro de 1975, Matteo Renzi é uma figura em ascensão no decrépito cenário político da Itália, o que lhe rendeu o apelido de Il Rottamatore (O Trator, em português). A alcunha surgiu após Renzi se empenhar em renovar os alicerces do Parlamento italiano, visto pela população como um antro de políticos corruptos e, em sua maioria, ultrapassados e incapazes de corresponder às novas demandas da sociedade. Embora conte com um índice de aprovação superior ao de qualquer outro político no país, Renzi ainda desperta a desconfiança de opositores e daqueles que questionam a sua falta de experiência para assumir o cargo de primeiro-ministro, segundo a rede britânica BBC.

Eleito prefeito da renascentista cidade de Florença em 2009 e nomeado líder do Partido Democrático em dezembro do ano passado, Renzi pode se tornar premiê sem nem sequer ter ocupado um cargo no Parlamento. De acordo com o jornal The Guardian, a escolha do político para o posto deixado por Enrico Letta é uma contradição por si só, uma vez que, ao mesmo tempo em que critica as estruturas da política italiana, Renzi tira proveito de um acordo firmado entre as legendas que integram a coalizão governista para se tornar o terceiro primeiro-ministro consecutivo a ser eleito de forma indireta.

O apoio da população, no entanto, vem da forma como Renzi moldou a sua imagem pública nos últimos anos. O carismático político é muitas vezes apontado como uma espécie de Tony Blair da Península Itálica, em alusão ao ex-primeiro-ministro que governou a Grã-Bretanha entre 1997 e 2007. O prefeito de Florença é visto com frequência em trajes informais, com calças jeans pretas e camisetas, além de correr maratonas e andar de bicicleta com os seus eleitores. A semelhança com Blair também está presente no modo como Renzi deve direcionar as políticas do PD. Certa vez, o político disse que era hora de “acabar com a velha guarda” do governo, o que poderia significar uma guinada ainda maior da legenda para o centro. A medida seria um meio de atrair a confiança dos eleitores da direita italiana.

Renzi, inclusive, se encontrou recentemente com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que, mesmo com o mandato de senador cassado, segue no comando do partido opositor Força Itália (FI). A reunião entre ambos teve o intuito de discutir reformas no sistema eleitoral italiano, mas irritou membros do PD. Questionado sobre a indisposição com seus próprios aliados, Renzi ironizou: “É uma contradição dizer que eu deveria ter falado com a FI, mas não com Berlusconi. Então eu deveria ter conversado com o Dudu (o cachorro da noiva de Berlusconi)?”, indagou. Ao abusar do tom carismático e eloquente nos discursos, Renzi é denunciado pelos opositores de seu governo em Florença como um especialista em se vender ao público. Para seus defensores, no entanto, essa característica é a sua principal qualidade. Resta saber se a Itália não comprou novamente a aposta errada no truncado processo de renovação que se arrasta pelo país.

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