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Prédio danificado por ataque israelense desaba em Gaza e deixa 20 mortos, incluindo crianças

Em paralelo, ministro da Defesa de Israel ameaça retomar ofensiva e retirar palestinos do território

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 set 2026, 11h48 | Atualizado em 16 set 2026, 12h06
Prédio danificado por ataque israelense desaba em Gaza e deixa 20 mortos, incluindo crianças Priorize VEJA no Google

Um prédio de sete andares desabou durante a madrugada desta quarta-feira, 16, na Faixa de Gaza, deixando ao menos 20 mortos, incluindo crianças, segundo a Defesa Civil palestina. O edifício já havia sido danificado diversas vezes por bombardeios israelenses durante a guerra e era usado como abrigo por pelo menos dez famílias.

Quatorze sobreviventes foram retirados do local com ferimentos, enquanto equipes de resgate continuam as buscas. Dezenas de pessoas continuam desaparecidas e podem estar presas sob os escombros. Segundo Raed Al-Dahshan, diretor da Defesa Civil da Cidade de Gaza, socorristas ainda ouviam vozes sob os destroços e havia esperança de encontrar outras pessoas com vida.

Resgate dificultado

O trabalho de busca é dificultado pela falta de máquinas e equipamentos pesados. Alessandro Mrakic, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Gaza, afirmou que equipes de algumas agências da ONU participam das operações, com apoio também da agência de ajuda do Egito.

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Segundo Mrakic, parte dos socorristas precisa remover os destroços com as próprias mãos. “A situação, como vocês podem ver, é trágica porque não temos os equipamentos e o maquinário necessários. Então, na verdade, há pessoas cavando com as próprias mãos”, afirmou.

O representante da ONU disse ainda que cerca de 400 edifícios na Faixa de Gaza estão sob risco de desabamento, especialmente com a aproximação do inverno e das chuvas. A Defesa Civil pediu que os moradores evitem construções danificadas diante do risco de novos desabamentos.

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Autoridades palestinas e organizações da ONU atribuem a dificuldade para levar máquinas pesadas ao território às restrições impostas por Israel. O governo israelense afirma que as limitações têm como objetivo impedir que os equipamentos sejam utilizados por grupos militantes.

Segundo estimativas da ONU, a guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, deixou cerca de 61 milhões de toneladas de destroços e entulho em Gaza. A organização calcula que a remoção de todo o material poderá levar aproximadamente sete anos.

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Israel ameaça retomar ofensiva

Em meio ao cenário de destruição, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta quarta-feira que é apenas uma questão de tempo até que o país retome a guerra em larga escala na Faixa de Gaza. Segundo ele, caso o Hamas não aceite o desarmamento previsto no acordo de cessar-fogo, o Exército está preparado para retomar a ofensiva e implementar o que chamou de plano de “migração” dos cerca de 2 milhões de palestinos do território.

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Katz afirmou que o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e firmado em outubro de 2025 foi importante para a libertação dos reféns, mas que o compromisso de desarmamento do Hamas não será cumprido. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, porém, negou que exista um plano para retirar palestinos de Gaza contra a vontade deles.

Apesar da trégua, os ataques israelenses na Faixa de Gaza continuam. O acordo interrompeu os combates em larga escala, mas não encerrou completamente a violência, e Israel e Hamas continuam acusando um ao outro de violar seus termos.

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O Hamas acusa Israel de dificultar a implementação do plano apresentado pelo presidente americano, Donald Trump, para encerrar a guerra. A proposta prevê, entre outras medidas, a retirada das forças israelenses de Gaza e o desarmamento do Hamas. Israel, por sua vez, acusa o grupo palestino de descumprir o acordo.

Segundo autoridades de saúde de Gaza, mais de 1. 300 palestinos morreram no território desde o início do cessar-fogo. O Exército israelense afirma que quatro soldados israelenses foram mortos no mesmo período.

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