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Porta-voz francês fala em novo Chernobyl, mas presidente defende usinas nucleares como “pertinentes”

Para Sarkozy, França está segura quanto aos seus 58 reatores, de 19 usinas

Por Da Redação 16 mar 2011, 16h37

O porta-voz do governo francês, François Baroin, afirmou nesta quarta-feira que o acidente nuclear no Japão pode ter um “impacto superior a Chernobyl“. No incidente de 1986, no que hoje é a Ucrânia, problemas nos reatores espalharam toneladas de material radioativo por uma área de 150.000 quilômetros quadrados, com consequências à população e ao meio ambiente que perduram até hoje. Mesmo assim, o presidente Nicolas Sarkozy insistiu em defender publicamente a “pertinência” do uso de energia nuclear.

A declaração de Baroin foi feita com base na apresentação da ministra da ecologia francesa, Nathalie Kosciusko Morizet, no conselho de ministros da última terça-feira. Nathalie explicou a crise nuclear pela qual passa o Japão desde o terremoto e o tsunami de 11 de março, sua evolução e as dificuldades das autoridades japonesas para obter o resfriamento de quatro dos seis reatores da usina de Fukushima I. Os núcleos de três deles estão danificados, conforme admitiu nesta quarta-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da Organização das Nações Unidas (ONU). Isso significa que a parte central dos reatores, aquela que contém o combustível nuclear (que pode ser urânio ou plutônio), foi atingida e há mais risco de vazamento do material radioativo.

França segura – Para Sarkozy, porém, a França está segura quanto aos seus 58 reatores, distribuídos nas 19 usinas nucleares. “A excelência técnica, o rigor, a independência e a transparência de nosso dispositivo de segurança são reconhecidos no mundo todo”, salientou. Acrescentou ainda que as “lições” que a França tira da situação que o Japão vive se traduzem em uma “revisão completa dos sistemas de segurança” de suas usinas nucleares. ” O governo se compromete em tornar esse trabalho público. Além disso, a França fornece seu apoio total à iniciativa similar lançada na Europa”, acrescentou.

Sarkozy disse também que, como presidente rotativo do Grupo dos Vinte (G20, formado pelos países mais ricos e os principais emergentes), a França tomará a iniciativa de reunir nas próximas semanas os ministros de Energia e Economia “para um debate sobre as grandes opções energéticas para o futuro”.

A declaração do presidente francês precede ao debate, anunciado para a tarde desta quarta-feira na Assembleia Nacional francesa, sobre a questão nuclear. Desse debate público participarão os ministros de Indústria, Éric Besson e Ecologia, Nathalie Kosciusko-Morizet, além de representantes da indústria nuclear do país.

Tampa usina nuclear japonesa
Tampa usina nuclear japonesa VEJA

(Com agências EFE e France-Presse)

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