Porta-voz de Milei diz que ‘xingamentos’ não afetam relação com Brasil
Adrián Ravier minimiza crise e insiste que 'sempre houve insultos' entre líderes dos dois países, mas não emite pedido de desculpas
O porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, afirmou na terça-feira 28 que os “xingamentos” do presidente argentino, Javier Milei, contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não afetam as relações diplomáticas ou comerciais entre os dois países. O posicionamento foi emitido após o Brasil chamar de volta seu embaixador em Buenos Aires para consultas, o que, no balé da diplomacia, é um movimento bastante enfático. O Itamaraty também convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos.
“Não acreditamos que isso impactará as relações diplomáticas entre os dois países, ou pelo menos não do lado argentino. Não é nossa intenção que isso afete as relações comerciais entre duas nações irmãs que comercializam e, de fato, se consideram seus principais parceiros comerciais”, disse o porta-voz durante uma coletiva de imprensa na sede do governo argentino.
Ele também minimizou a crise, dizendo que “sempre houve insultos de ambos os lados” ao longo da história entre Brasil e Argentina. Não há registro, porém, de xingamentos públicos de Lula contra Milei.
“São diferenças ideológicas, diferenças políticas. Mas pelo menos a Argentina nunca levou essas diferenças para o âmbito diplomático”, acrescentou o porta-voz, enfatizando que foi o Brasil, e não a Argentina, que convocou seu embaixador para consultas. “A Argentina seguirá nessa linha; são diferenças claras entre os dois líderes”, ressaltou.
Ravier não emitiu qualquer retratação oficial. De acordo com a imprensa argentina, o governo argentino “já deixou claro que não haverá pedido de desculpas de Daniel Raimondi (o embaixador em Brasília), muito menos do presidente (Milei)“.
Relembre o caso
Durante um discurso no último sábado, quando participou da convenção do Partido Liberal (PL) em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, Milei chamou Lula de “ladrão”, “lixo socialisra” e o acusou de “espalhar o socialismo” na América Latina e de levar o Brasil a uma crise fiscal.
O presidente argentino também alegou que o governo brasileiro financiou uma campanha nas redes sociais contra a Argentina durante a Copa do Mundo, com o apoio do México e do Partido Democrata dos Estados Unidos.
Milei tenta se posicionar como líder da direita na América Latina. Durante a convenção, ele associou a candidatura de Flávio a uma “transformação política em curso” na região. Segundo ele, países latino-americanos estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio.
Ravier argumentou na terça-feira que “muitas pessoas na esquerda querem que esse modelo fracasse”, referindo-se ao projeto econômico ultraliberal implementado na Argentina — que, pelo radicalismo, foi apelidado de “motosserra”. Segundo o porta-voz da Casa Rosada, “existe uma hipótese de que a esquerda esteja de alguma forma fomentando essa campanha anti-Argentina para minar a ideia de que o modelo está tirando as pessoas da pobreza e da miséria e reduzindo a inflação”.
Ele também rejeitou as acusações de racismo feitas contra a Argentina durante a Copa do Mundo: “Qualquer pessoa que, seja de Hollywood, da Espanha ou de qualquer lugar do mundo, fale da Argentina como um país racista claramente desconhece nossa história e nossa cultura”, disse ele.







