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Porta-voz de Hillary Clinton cai após críticar o Pentágono

Crowley condenou tratamento dado a acusado de vazar dados ao WikiLeaks

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, renunciou ao cargo neste domingo, depois de criticar o Pentágono pelas condições de detenção do soldado Bradley Manning, suspeito de ter divulgado milhares de documentos confidenciais dos Estados Unidos ao site WikiLeaks.

“Considerando o impacto de minhas palavras, pelas quais respondo integralmente, apresentei minha demissão como subsecretário de Assuntos Públicos e porta-voz do Departamento de Estado”, afirmou Crowley, em um comunicado divulgado pela Casa Branca. Na última semana, ele havia classificado o tratamento que o Departamento de Defesa dá a Manning como “ridículo” e “estúpido”.

No mesmo comunicado em que Crowley oficializa sua renúncia , a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que aceitava com pesar a renúncia de seu porta-voz. Ela louvou a “profunda devoção à política pública e à diplomacia pública” de Crowley, e destacou o serviço que ele prestou com “distinção” aos EUA. “Desejo a ele o melhor”, afirmou Hillary. Ela ainda anunciou que o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer, assumirá de forma interina o cargo.

Entenda o caso – No dia 2 de março, o soldado Manning, preso por ter fornecido ao WikiLeaks milhares de documentos confidenciais, foi acusado pela justiça militar dos EUA de 22 novos crimes, entre eles “conluio com o inimigo”. Este crime é passível de pena de morte, mas os promotores decidiram não recorrer a ela, segundo John Haberland, porta-voz da jurisdição militar da região de Washington, em comunicado. Acrescentou, no entanto, que o soldado, de 23 anos, pode ser condenado à prisão perpétua.

Várias organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, criticaram as condições de detenção de Manning e, no início de março, seu advogado denunciou que o soldado estava sendo submetido a humilhações e tratamentos “inadequados” na prisão militar de Quantico, na Virgínia. O jovem, ex-analista de inteligência lotado no batalhão de apoio da 2ª Brigada da 10ª Divisão no Iraque, já havia sido acusado de outros 12 crimes.

Segundo Haberland, o “entrou em um programa interno do sistema de informática do governo para consultar informações confidenciais, depois as baixou e as transmitiu para a difusão pública e o uso do inimigo”. Manning foi preso com base em dados passados às autoridades pelo informante Adrian Lamo. Ele havia confessado a Lamo que era o responsável pelo vazamento de um vídeo sobre o ataque de um helicóptero americano a civis, em 12 de julho de 2007, em Bagdá.

Casa Branca – Crowley, um respeitado porta-voz do Conselho de Segurança Nacional sob o mandato de Bill Clinton, foi nomeado pela chefe da diplomacia americana como porta-voz do Departamento de Estado e assumiu o cargo em 26 de maio de 2009.

Recentemente o presidente Obama transferiu Mike Hammer para o Departamento de Estado, com o objetivo, segundo a imprensa, de substituir Crowley, mas a mudança se viu acelerada pelas declarações do porta-voz.

Críticas ao Pentágono – Na semana passada, em um ato no Massachusetts Institute of Technology (MIT) de Boston, Crowley foi questionado por um jovem sobre sua opinião sobre o WikiLeaks e sobre a tortura “a um preso em um calabouço militar”, segundo escreveu em seu blog a jornalista da rede britânica BBC, Philippa Thomas, que se encontrava no fórum.

Crowley então respondeu que a atitude do Pentágono era “ridícula” e “estúpida”. “No entanto, Bradley Manning se encontra no lugar adequado”, acrescentou o porta-voz.

(Com agências France-Presse e EFE)