Por que Trump trocou de avião ao deixar cúpula na Turquia
Presidente dos EUA chegou à reunião da Otan usando aeronave presidencial nova, que ganhou de presente do Catar, mas partiu com a antiga
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não usou o novo Air Force One, um Boeing 747 que recebeu de presente do Catar, para retornar a Washington após a cúpula da Organização do Atlântico Norte (Otan) na Turquia. Após chegar à capital turca, Ancara, na terça a bordo desta aeronave, ele retornou na quarta-feira 9 em outro Air Force One.
“(O avião) voará pela Europa, passando por duas ou três grandes bases militares, onde poderemos mostrá-lo ao povo, e eu retornarei por meios normais”, declarou Trump. Isso permitirá “que os soldados o vejam, porque é realmente magnífico”, acrescentou, mantendo-se vago sobre os motivos da mudança de última hora.
O jornal americano The New York Times, porém, afirmou na noite de quarta que a troca foi feita a pedido do Serviço Secreto, responsável pela proteção do presidente, por motivos de segurança. Segundo a reportagem, a nova aeronave, rapidamente recondicionada pelo Exército americano após a doação do Catar, não dispõe de todas as tecnologias do antigo avião.
Polêmica e segurança
Apelidado de “palácio no céu”, o Boeing de US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões) oferecido a Trump pelo governo catari foi alvo de controvérsia desde o início, especialmente em relação aos limites dos presentes que um presidente pode receber de potências estrangeiras. O chefe da Casa Branca é proibido por uma cláusula da Constituição americana de receber pagamentos de governos estrangeiros sem o consentimento do Congresso.
Fora isso, pode nem estar à altura do Air Force One. Segundo especialistas, a aeronave de treze anos de idade, originalmente pertencente a um governo estrangeiro e destinada a desempenhar o papel altamente sensível de avião presidencial, ainda ficaria aquém da segurança integrada no antigo Air Force One, mesmo depois de melhorias — como novos sistemas antimísseis, blindagem eletrônica e canais criptografados.
Diferentemente do Air Force One, projetado para resistir até mesmo ao pulso eletromagnético de uma detonação nuclear, a aeronave catari não dispunha de sensores infravermelhos, lançadores de flare ou bloqueadores eletrônicos de última geração. Por isso, quando Trump aceitou o polêmico presente, o Pentágono cogitou restringir as rotas do avião ao espaço aéreo americano, além de utilizar caças como guarda-costas.







