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Por que protestos contra governo Zelensky tomaram dezenas de cidades na Ucrânia

Ucranianos vão às ruas em meio a megarreforma ministerial do presidente, que já trocou três membros do gabinete na última semana

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 09h45 | Atualizado em 16 jul 2026, 11h26
Por que protestos contra governo Zelensky tomaram dezenas de cidades na Ucrânia Priorizar nos meus resultados Google

A demissão do ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, desencadeou uma onda de protestos em diversas cidades do país nesta quinta-feira, 16. Manifestantes se reuniram em Kiev e em outros centros urbanos para pedir que o presidente Volodymyr Zelensky reverta a decisão.

Na capital ucraniana, centenas de pessoas, em sua maioria jovens, ocuparam a Praça Ivan Franko logo após o minuto diário de silêncio em homenagem às vítimas da guerra.

A mobilização começou nas redes sociais poucas horas depois de Zelensky anunciar a demissão de Fedorov na quarta-feira, 15. O presidente ainda não explicou publicamente os motivos que levaram à decisão.

O Parlamento deve votar nesta quinta-feira a nomeação do atual ministro do Interior, Ihor Klymenko, para comandar a pasta da Defesa. A troca faz parte de uma ampla reforma ministerial promovida por Zelensky, que também levou à nomeação de Serhiy Koretsky, ex-presidente da estatal de petróleo e gás, como primeiro-ministro, após a renúncia de Yuliia Svyrydenko.

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Quem é Fedorov

Fedorov, de 35 anos, ocupava o cargo desde janeiro e ganhou prestígio por acelerar reformas no Ministério da Defesa, ampliar o uso de tecnologia no campo de batalha e intensificar ações de combate à corrupção. Ex-ministro da Transformação Digital, ele liderou iniciativas como o programa “Exército de Drones”, que incentivou o desenvolvimento de sistemas não tripulados.

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A saída do ministro também provocou reações dentro das Forças Armadas. O vice-comandante da Força Aérea, Pavlo Yelizarov, anunciou sua renúncia em protesto, classificando a exoneração como “um grande mal para a capacidade de defesa do país”.

Veterano de guerra e um dos organizadores das manifestações, Dmytro Koziatynskyi afirmou nas redes sociais que a substituição ocorre justamente quando as reformas na Defesa começavam a produzir resultados positivos. “Nunca derrotaremos a Rússia enquanto a estagnação e a corrupção continuarem governando nosso Exército e nossos ministérios”, escreveu.

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Tensão

Após a tensão entre Fedorov e o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, ser apontada como o principal motivo para a demissão, o ex-ministro confirmou que havia divergências com o militar.

“Quando o presidente disse que não pretendia substituir Syrskyi, respondi que aprenderia a trabalhar com ele”, afirmou ele em entrevista coletiva. “Mas todas as iniciativas que propusemos foram bloqueadas.” 

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