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Por que o terremoto moderado no Afeganistão causou tantas mortes?

Após deixar mais 1000 mortos e pelo menos 600 feridos, tremor é o mais letal das últimas décadas

Por Camille Mello 23 jun 2022, 12h02

O terremoto que atingiu o leste do Afeganistão na manhã de quarta-feira 22 alcançou a magnitude 5, sendo considerado tremor “moderadamente forte” segundo a Escala Richter, sistema que mensura a intensidade dos movimentos sísmicos.

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Todos os anos, cerca de 1.300 terremotos de força semelhante ocorrem em média em todo o mundo, a maioria atrai pouca atenção por não serem muito nocivos. Contudo, o fenômeno foi especialmente devastador no Afeganistão, provocando a morte de mais de 1 mil pessoas e deixando pelo menos 600 feridos, números que devem aumentar à medida que as operações de busca e resgate continuam.

Entre os vários fatores que explicariam os efeitos letais estão a localização geográfica do país, situado em uma região em que as placas tectônicas estão bastante ativas, o que o torna propenso a este tipo de abalo sísmico. Segundo o Escritório de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, mais de 7 mil pessoas morreram em terremotos no Afeganistão nos últimos dez anos.

O mais recente desastre se destaca como um dos mais mortais das últimas décadas por ter atingido uma área de construções precárias. A província de Paktika, próxima à fronteira com o Paquistão é um região cujas casas são feitas de alvenaria ou mesmo de barro ou palha, materiais que se quebram facilmente quando sujeitos à tensão. Acredita-se que vilarejos inteiros foram destruídos pelos tremores.

Além disso, o terremoto ocorreu no meio da noite, momento em que todos estavam dormindo e não tiveram tempo de se deslocar para áreas seguras, para escapar dos desabamentos. Durante o dia, as pessoas podem estar em escritórios ou escolas, que podem ter uma estrutura que suporte melhor as trepidações.

O terreno difícil e a profunda pobreza na região no sudeste do país representam um desafio especial para os esforços de ajuda. A área está longe de muitas clínicas ou hospitais que poderiam atender os feridos. Milhares de desabrigados passaram a noite no frio e foram atingidos pela chuva, vento e até neve. 

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Segundo uma a agência de notícias estatal, o Ministério da Defesa afegão enviou sete helicópteros e uma equipe médica para transportar os feridos para hospitais militares e civis. Na quarta-feira, cerca de 70 pessoas foram levadas para tratamento no hospital em Sharana, capital da província, disse o Dr. Hikmatullah Esmat, diretor de saúde pública da província de Paktika.

O porta-voz do governador da província de Paktika, Sanaullah Masoum, afirmou que a lguns suprimentos chegaram ao país por meio de agências humanitárias, mas observou que a ajuda “não é suficiente” para aplacar a crise é generalizada no local.

“Pedimos às agências que forneçam mais alimentos, assistência médica e humanitária”, suplicou a autoridade afegã, em entrevista ao jornal The New York Times.

O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, informou em comunicado que o governo iniciou o processo de entrega de cuidados médicos e suprimentos de abrigo para o Afeganistão.

O governo da Coreia do Sul prometeu nesta quinta-feira, 23, fornecer US$ 1 milhão em assistência humanitária às vítimas do terremoto.

 

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