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Por que ‘maior acordo petrolífero da história’ anunciado por EUA e Venezuela é tão controverso

Plano prevê controle de 65 bilhões de barris — cerca de um quinto do estoque da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 ago 2026, 11h34
Por que ‘maior acordo petrolífero da história’ anunciado por EUA e Venezuela é tão controverso Priorizar nos meus resultados Google

O presidente americano, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira, 28, que os Estados Unidos fecharam “o maior acordo de petrolífero da história”, assumindo controle de 65 bilhões de barris da Venezuela — cerca de um quinto do estoque do país, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

“Por minha determinação, o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário da Guerra Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a altamente respeitada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com empresas privadas, garantiram o controle majoritário dos Estados Unidos sobre mais de 65 BILHÕES DE BARRIS de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem nenhum custo para o contribuinte americano”, escreveu Trump na sua rede Truth Social.

O plano prevê uma parceria entre o governo americano, empresas privadas e o governo venezuelano para desenvolver 17 campos de petróleo. A administração Trump afirma que a iniciativa poderá atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos e ampliar a produção venezuelana, hoje limitada pela deterioração da infraestrutura e pela falta de investimentos.

A Venezuela, por sua vez, estima que o projeto poderá gerar US$ 209 bilhões em receitas tributárias para o governo.

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Projeto controverso

+ Trump anuncia que EUA vão controlar 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela

O acordo, no entanto, gerou dúvidas e críticas imediatas entre diversos da sociedade venezuelana. A presidente interina, Delcy Rodríguez, esclareceu no sábado que a Venezuela mantém a propriedade dos 17 “campos estratégicos” que os Estados Unidos controlarão, com o objetivo de produzir 1,5 milhão de barris por dia. A Venezuela, sob o plano atual, receberá US$ 19 (R$ 98,79) por barril vendido.

O modelo, entretanto, ainda é pouco transparente. A Reuters informou nesta segunda-feira que especialistas em energia e advogados questionam a legalidade e a execução do acordo e defendem que os contratos sejam divulgados. A negociação não passou por um processo competitivo e ocorreu paralelamente a uma reforma da legislação petrolífera venezuelana.

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As negociações geram preocupação também entre os apoiadores do chavismo, pois ocorrem em meio à intensa pressão de Washington sobre o governo de Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro após a captura e deposição de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos.

“Não sabemos quem se beneficiará com isso, se a Venezuela ou eles (os Estados Unidos)”, disse à agência de notícias AFP Jesús Salazar, um segurança privado de 68 anos. “Tenho minhas dúvidas, mas temos que esperar para ver o que acontece”, acrescentou.

Reformas

Sob pressão de Washington, Rodríguez implementou reformas nos últimos meses para abrir os setores de petróleo e mineração — indústrias antes zelosamente protegidas pelo Estado — ao capital privado, especialmente ao investimento estrangeiro. A produção de petróleo aumentou 29,8% de janeiro a julho, quando a Venezuela atingiu 1,2 milhão de barris por dia, mas permanece longe dos 3 milhões de barris por dia extraídos no final do século passado.

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Uma reportagem do jornal The Wall Street Journal antecipou que empresas americanas do setor de energia, como a Chevron, já negociavam investir bilhões de dólares na exploração de petróleo na Venezuela e que executivos deveriam viajar a Caracas nos próximos dias para assinar novos acordos de produção.

Um dos pontos controversos do anúncio, no entanto, é o fato de que grande parte dos campos oferecidos pelo governo venezuelano exige investimentos pesados antes de começar a produzir. Muitos são áreas ainda pouco desenvolvidas, sem infraestrutura adequada e, em alguns casos, sem fornecimento confiável de energia. Especialistas ouvidos pela Reuters questionam justamente quanto tempo será necessário para que o pacto produza volumes relevantes de petróleo.

Ainda assim, uma operação dessa magnitude poderia acelerar a tão esperada recuperação econômica da Venezuela, que ainda se recupera da brutal contração de 80% sofrida entre 2014 e 2021.

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Essa é a esperança de muitos venezuelanos que mal sobrevivem com um salário mínimo mensal equivalente a US$ 0,16 (R$ 0,83) e bônus estatais que chegam a US$ 240 (R$ 1.247) por mês, bem longe do custo de US$ 730 (R$ 3.795) da cesta básica, segundo estimativas privadas.

Rodríguez, que descreveu o acordo como “histórico”, afirmou que espera que ele gere US$ 204 bilhões (R$ 1 trilhão) em receita tributária, mas não especificou os ganhos de outras fontes, como os royalties.

Os poucos detalhes compartilhados pelas autoridades venezuelanas e americanas impossibilitam uma avaliação precisa de seu impacto.

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(Com informações da AFP)

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