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Por independência, Catalunha quer antecipar eleições

Governo local propõe coligação gigante de partidos favoráveis à causa

Por Da Redação - 25 nov 2014, 20h30

O chefe do governo regional da Catalunha, Artur Mas, declarou nesta terça-feira estar disposto a convocar eleições legislativas antecipadas como “único e último mecanismo” para votar sobre a independência da Espanha, depois que Madri vetou um referendo.

O político catalão ainda não havia se pronunciado claramente desde a votação simbólica de 9 de novembro e propôs, diante de uma multidão reunida em Barcelona, reunir os partidos favoráveis à independência em uma lista comum junto com representantes da sociedade civil. A intenção é contar com um número alto de deputados regionais que sejam favoráveis à causa e assim aumentar a pressão sobre Madri.

O mandato do novo legislativo teria 18 meses, tempo que Mas afirma ser necessário para lançar um processo de criação de um Estado catalão independente. Os deputados eleitos teriam como missão principal apoiar o separatismo e se comprometeriam a não lançarem uma nova candidatura depois do prazo de 18 meses, segundo o jornal espanhol El País.

“Chegou o momento de utilizar o único instrumento que nos resta para realizar a consulta”, afirmou Mas, optando por “eleições como único e último mecanismo” e convocando os partidos catalães e as associações independentes para apoiar um programa conciso. “O resultado será nítido, claro e compreensível, para que não possa dar lugar a discussões sobre a votação”, afirmou em um discurso de mais de uma hora.

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O chefe do governo regional catalão enfrenta há dois anos o governo espanhol do primeiro-ministro Mariano Rajoy para promover seu desejo de convocar um referendo sobre a independência da Catalunha, região de 7,5 milhões de habitantes responsável por quase 20% da riqueza do país.

O plano de Mas foi lançado depois que Madri se opôs à realização de uma consulta não obrigatória e uma votação simbólica. “Não é o melhor dos instrumentos, mas não temos outro”, afirmou diante da multidão que o respondeu com gritos de independência.

Pelo plano, o governo em final de mandato comunicará à Espanha e à comunidade internacional “a intenção de construir um Estado na Catalunha”, além de iniciar negociações sobre as condições de separação, preparar a estrutura de um novo Estado e “as bases de uma futura constituição catalã”.

Em 9 de novembro, 2,3 milhões de pessoas (40% dos eleitores aptos a votar) participaram de uma consulta informal sobre a independência da Catalunha, depois de o Tribunal Constitucional ter proibido, a pedido do de Madri, a realização de um referendo.

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Segundo dados finais, 80,76% dos eleitores apoiaram que a Catalunha seja um Estado independente.

(Com agência France-Presse)

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