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Por apoio a Blatter, Putin critica detenções de dirigentes da Fifa

O presidente da Rússia, país que sediará a próxima Copa do Mundo, afirmou que a operação do FBI foi uma "clara tentativa" dos EUA de impedir a reeleição de Blatter

A detentação de sete dirigentes da Fifa, entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, às vésperas da eleição para a presidência da entidade, incomodou Vladimir Putin. O mandatário da Rússia, país que sediará a próxima edição da Copa do Mundo, afirmou que a operação do FBI constitui uma “clara tentativa” dos Estados Unidos de impedir a reeleição de Joseph Blatter. Para Putin, a polícia federal americana não possui jurisdição para conduzir uma investigação de implicações internacionais. “Tudo me parece estranho, as prisões foram feitas a mando do lado dos Estados Unidos”, disse o político, fiel aliado de Blatter, em declarações reproduzidas pelo jornal The Guardian. “Eles são acusados de corrupção. Quem? Funcionários internacionais. Eu suponho que eles quebraram algumas regras, não sei. Mas, definitivamente, isso não tem nada a ver com os Estados Unidos. Estes funcionários não são cidadãos americanos. Se alguma coisa aconteceu, isso ocorreu fora dos Estados Unidos e não tem nada a ver com eles”.

Putin, no entanto, parece ter faltado às aulas de direito internacional. Ao tentar protagonizar mais uma queda de braço com Washington, o político se esqueceu de dar atenção aos fatos – ou preferiu distorcê-los da forma como lhe pareceu mais conveniente. Conforme o colunista de VEJA, Reinaldo Azevedo, explicou na quarta-feira, “parte dos crimes, especialmente aqueles relacionados à empresa do brasileiro J. Hawilla, foi cometida nos Estados Unidos”. “As leis americanas conferem ao Departamento de Justiça o poder de pedir a extradição de estrangeiros que cometam crime em solo americano. As propinas aos dirigentes teriam sido pagas por intermédio de bancos dos EUA”, escreveu Azevedo.

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Quanto à questão da jurisprudência internacional abordada por Putin, Azevedo pontua que a “operação foi realizada numa colaboração das autoridades suíças e americanas, e o pedido de extradição será encaminhado [pelos Estados Unidos] à Suíça – que pode recusá-lo”.

Os temores de Putin com relação à investigação são evidentes. Sob o auspício de Blatter, a Rússia foi escolhida em 2010 como a sede da Copa do Mundo de 2018. O processo de votação que credenciou o país a receber o torneio pode ter sido influenciado por crimes de corrupção e será investigado pela Suíça – em ação paralela à das autoridades dos Estados Unidos. As escolhas da África do Sul e do Catar como sedes das edições de 2010 e 2022 da competição, respectivamente, também são alvos da Justiça suíça e americana.

(Da redação)