População da UE alcançará pico em 2029 antes de iniciar encolhimento, revela relatório
Com 450,6 milhões de habitantes hoje, bloco atingirá recorde de 453,3 milhões de pessoas em três anos. Depois, deve lidar com bomba demográfica
A população da União Europeia está prestes a atingir seu pico histórico antes de entrar em queda nas próximas décadas, segundo um relatório do Centro Comum de Pesquisa (CCR, na sigla em inglês), instituto vinculado à Comissão Europeia, divulgado nesta terça-feira, 14.
Com 450,6 milhões de habitantes, a população do bloco continuará crescendo ligeiramente até 2029, quando deverá alcançar cerca de 453,3 milhões de cidadãos. Em seguida, a população cairá para 398,8 milhões de pessoas até 2100 — número que foi registrado pela última vez na década de 1970.
O recorde de habitantes ocorrerá enquanto os europeus estão vivendo mais do que nunca graças à melhoria na saúde e na condição de vida. Até 2050, quase um em cada três habitantes dos 27 Estados-membros terá 65 anos ou mais, em comparação com um em cada cinco atualmente.
“Estamos vivendo vidas mais longas e saudáveis do que nunca — uma de nossas maiores conquistas. Mas a mudança demográfica está remodelando nossas sociedades, nossas economias e nossos mercados de trabalho”, disse a comissária da União Europeia, Dubravka Suica, em um comunicado.
Bomba demográfica
Entre as soluções para enfrentar o problema de uma população cada vez mais envelhecida, a comissária da União Europeia responsável pela demografia, Dubravka Šuica, atribuiu grande importância à migração como uma “necessidade” para combater a redução da força de trabalho, uma vez que as pessoas que buscam emigrar para o bloco geralmente estão em idade ativa.
Segundo o relatório do CCR, a imigração “desempenha um papel cada vez mais importante na evolução da população, ao compensar parcialmente os efeitos negativos do envelhecimento demográfico e da redução da força de trabalho.”
A queda na taxa de natalidade também ajuda a explicar essa tendência de envelhecimento, já que o número de nascimentos caiu quase pela metade, de 6,8 milhões em 1961 para 3,55 milhões em 2024.
“Com a queda nas taxas de fertilidade, a migração tornou-se um importante fator de mudança populacional, contrabalançando os efeitos negativos do envelhecimento da população e da contração da força de trabalho”, diz o relatório.
Embora o aumento da expectativa de vida seja um sinal de progresso, prevê-se que ela chegue a 90 anos para as mulheres e a pelo menos 86 anos para os homens até 2100. A União Europeia, então, se depara com o que chama de “economia da longevidade”, cujo foco terá de mudar para a ampliação do financiamento e da mão de obra voltados a instituições de cuidados, bem como para a adaptação de sua estratégia de aposentadoria.






