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Políticos do Mercosul rejeitam reunião com novo presidente do Paraguai

Assunção, 23 jul (EFE).- Deputados e representantes da esquerda de Brasil, Argentina e Uruguai, de visita em Assunção, se recusaram a reunir-se nesta segunda-feira com o presidente do Paraguai, Federico Franco, e reiteraram seu repúdio ao ‘golpe de Estado’ contra Fernando Lugo.

A delegação, que seu anfitrião no Paraguai, o deputado Ricardo Canese, havia anunciado na semana passada, esteve neste fim de semana com Lugo, quando se completou um mês de sua cassação.

Tanto os nomes dos membros da delegação como o programa de reuniões anunciado à imprensa por Canese foram variando sistematicamente, incluindo a reunião com Franco, prevista na agenda oficial da Presidência.

‘Eles retornaram a seus países porque não teriam tempo. Eles pediram para suspender’, disse à Agência Efe uma porta-voz presidencial, embora nessa mesma hora a comitiva estivesse na sede da Corte Suprema reunindo-se com seu presidente, Víctor Núñez.

A imprensa paraguaia citou Canese explicando que a reunião carecia de sentido depois da decisão do Tribunal Permanente do Mercosul, que no sábado passado rejeitou o recurso apresentado pelos paraguaios para anular a suspensão do país do bloco e a entrada da Venezuela.

‘Os companheiros visitantes não aceitaram reunir-se com Federico Franco porque não o reconhecem’ como presidente, disse depois à Efe, detalhando que a delegação visitante não é do Parlamento do Mercosul, como afirmou anteriormente, mas ‘uma delegação de parlamentares do Mercosul, dos Parlamentos nacionais’.

Em entrevista coletiva, a deputada argentina Araceli Ferreyra qualificou de ‘absolutamente inviável’ uma reunião com Franco, pois Lugo é o único presidente do Paraguai.

‘Não consideramos conveniente’ a reunião com Franco ‘pois nossa missão no Paraguai é para expressar a solidariedade ao povo paraguaio’ e respaldar a decisão de suspender o país do Mercosul, completou o parlamentar uruguaio Jorge Mazzarovich.

Lugo perdeu o poder em um ‘julgamento político’ do Legislativo que teve como estopim a morte de 17 policiais e trabalhadores sem terra em um tiroteio durante uma desapropriação no dia 15 de junho em uma fazenda de Curuguaty, cuja propriedade era disputada pelo Estado com um empresário. EFE