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Política paraguaia e eleição venezuelana centram agenda do Foro de São Paulo

Caracas, 4 jul (EFE).- A destituição do presidente Fernando Lugo no Paraguai e as eleições de outubro na Venezuela, nas quais o líder Hugo Chávez busca sua terceira reeleição, centraram a agenda das reuniões que abriram nesta quarta-feira a 18ª edição do Foro de São Paulo, que será realizado em Caracas até a próxima sexta-feira.

Deputados e representantes de diversas organizações se encontraram em Caracas, considerada a partir desta quarta-feira a ‘capital da esquerda’, com o lema ‘Os povos do mundo contra o neoliberalismo e pela paz’, mas também para abordar assuntos como a reivindicação argentina pelas ilhas Malvinas e as ameaças contra as democracias.

A ex-senadora colombiana Piedad Córdoba disse à imprensa que, no final da reunião, haverá uma ‘declaração que será totalmente destinada a contrariar o que significa o neoliberalismo, os embates do capitalismo, as novas formas de colonização’, mas também de ‘defesa da democracia’.

Segundo ela, serão rejeitadas ‘as novas formas de golpe nos países, como no caso do Paraguai’, que definiu como ‘a perfeição’ do que ocorreu em Honduras, onde em junho 2009 foi derrubado o então presidente Manuel Zelaya.

Já o analista político argentino Atilio Borón mencionou que, entre os pontos de discussão, está ‘a atual crise do sistema capitalista em nível internacional’, que, em sua opinião, ‘representa um grave desafio’ para a América Latina.

‘O primeiro ponto a discutir é a natureza da crise, por que dura tanto, por que as soluções que ensaiaram até agora não funcionaram e, em segundo lugar, ver como podemos sair da crise’, ressaltou o analista aos jornalistas.

A jornada de abertura do Foro celebrou o primeiro encontro de parlamentares. Segundo a deputada do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) no Parlamento Latino-americano (Parlatino) Ana Elisa Osorio, também foram instaladas 14 mesas temáticas.

Durante a plenária do encontro de parlamentares, o deputado José Figueroa, da Frente Sandinista da Nicarágua, expressou sua solidariedade com o destituído presidente paraguaio Fernando Lugo e com o governante venezuelano.

Ele manifestou sua solidariedade com Chávez ‘não só para que sua saúde se recupere’ – devido ao câncer que lhe foi diagnosticado em junho do ano passado -, ‘mas também para que o povo liderado por ele alcance uma nova vitória no dia 7 de outubro deste ano’, em alusão ao pleito que será realizado no país.

Também sobre o Paraguai se pronunciou o legislador do Parlamento Centro-Americano Martín Pineda, que sugeriu uma lei que penalize ‘aqueles que executam golpe de Estado e violentam a democracia’, e advertiu que, nos últimos anos, foram registradas três tentativas fracassadas de golpe na Venezuela, Equador e Bolívia, assim como duas consagradas em Honduras e Paraguai.

Sobre a eleição venezuelana, Piedad Córdoba negou que Caracas tenha sido escolhida como sede do Foro para influenciar o iminente pleito no país.

‘Não vai definir as eleições na Venezuela’, argumentou a dirigente colombiana, que defendeu que este espaço ‘ratifica a democracia’, o processo bolivariano e ‘o direito’ dos homens e mulheres de esquerda de se reunirem.

No entanto, vários agrupamentos civis venezuelanos afirmaram que a reunião do Foro de São Paulo representa uma ‘ingerência’ no processo eleitoral do país, pois buscaria apoiar a candidatura de Chávez.

Sobre as eleições do México realizadas no último domingo, os deputados mexicanos do Partido da Revolução Democrática (PRD) Saúl Escobar e Enrique Vargas anunciaram que pedirão ao Foro que se pronuncie sobre o processo eleitoral em seu país diante da possibilidade de ‘fraude’.

‘Vamos explicar aqui o que está acontecendo no México e esperamos, claro, que haja solidariedade pelo fato de que se reconheça que o processo eleitoral deve ser esclarecido’, declarou o deputado Escobar.

Vargas assinalou que o Foro tem de se solidarizar com o PRD, com Andrés Manuel López Obrador (líder da esquerda mexicana) ‘porque a solidariedade internacional é fundamental para que se instaure a democracia’ em seu país.

Facundo Villalba, militante da Corrente do Povo da Argentina, disse à Agência Efe que outro tema fundamental ‘tem a ver com um apoio ou um repúdio à presença inglesa nas Malvinas’.

‘Diante da escala armamentista gerada pelo Reino Unido na zona do Atlântico Sul, temos de responder com a solidariedade dos irmãos latino-americanos, dos povos irmãos do mundo’, destacou Villalba.

A reunião na capital venezuelana, que reúne cerca de 600 delegados esquerdistas e coincide nesta quinta-feira com a celebração da independência nacional, concluirá na sexta-feira com um ato previsto no Teatro Teresa Carreño. EFE