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Policiais que agrediram homem negro em Paris são detidos

Imagens de câmera de segurança mostram agentes invadindo o estúdio de gravação e infligindo sucessivos golpes contra produtor musical

Por Da Redação Atualizado em 27 nov 2020, 16h21 - Publicado em 27 nov 2020, 16h06

Quatro policiais franceses foram detidos nesta sexta-feira, 27, para prestar esclarecimentos sobre a brutal agressão ao produtor musical Michel Zecler dentro do estúdio dele há cerca de uma semana em Paris.

Os agressores são interrogados, em geral, por “violência voluntária, em grupo, com arma e a caráter racista“, e três deles também são questionados por “falsificação em escrita pública, invasão de domicílio e dano intencional à propriedade privada”, de acordo com as autoridades parisienses.

Todos os quatro foram suspensos da polícia na quinta-feira 26 e estão sob investigação da Procuradoria de Paris desde terça-feira 24.

Imagens de câmera de segurança publicadas pelo site Loopsider mostram três policiais invadindo o estúdio de gravação de Zecler e infligindo sucessivos golpes contra o produtor musical, no sábado 21.

Os policiais agarram a vítima e, depois, aplicam-lhe socos e chutes, além de golpes com um cassetete. Na sequência, os agressores jogam uma granada de gás lacrimogêneo no interior do estúdio.

A cena de violência policial, que se encerra com a detenção de Zecler, dura pelo menos 13 minutos.

“Eles me chamaram de negro de merda várias vezes enquanto me espancavam”, denunciou a vítima, que apresentou queixa na sede da Inspeção Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão fiscalizador das autoridades policiais.

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Segundo boletim de ocorrência, os três policiais alegaram que chamaram a atenção de Zecler porque ele não estaria usando máscara. “Quando tentamos interceptá-lo, nos forçou a entrar no prédio”, escreveram.

As imagens da câmera de segurança, assim como gravações publicadas por vizinhos do produtor musical, viralizaram nas redes sociais e causaram comoção na França.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse estar “muito consternado” com o vídeo. Ele se reuniu com o ministro do Interior, Gérald Darmanin, na quinta-feira 26 para tomar medidas contra os policiais envolvidos.

Este caso surgiu em pleno debate na França sobre o polêmico projeto de lei de segurança global, apresentado pelo governo Macron, que proíbe em certos casos a divulgação de imagens de policiais durante suas intervenções. 

O artigo mais polêmico do projeto pune com um ano de prisão e 45.000 euros (287.000 reais) de multa a divulgação da “imagem do rosto, ou de qualquer outro elemento identificador”, dos membros das forças da ordem em ação, quando “atenta” à sua “integridade física, ou psicológica”.

Enquanto os sindicatos da polícia aprovam o texto, os defensores das liberdades públicas vêem na referida lei uma “ofensa desproporcional” à liberdade de informar e um sinal da deriva autoritária do governo Macron.

O texto já foi aprovado pela Assembleia Nacional nesta semana e agora segue para análise do Senado.

(Com AFP)

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