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Policiais forçam mulher a tirar burkini em praia da França

O traje de banho muçulmano foi proibido em mais de 15 cidades francesas como forma combate ao radicalismo islâmico

Por Da redação 25 ago 2016, 10h21

Uma foto divulgada nas redes sociais nesta semana intensificou os debates na França acerca da proibição dos burkinis, traje de banho usado por algumas mulheres muçulmanas. A imagem, feita por um fotógrafo francês, mostra uma muçulmana sendo abordada por policiais na beira da praia e, aparentemente, sendo obrigada a tirar parte de sua roupa.

No último mês, o burkini foi proibido em pelo menos 15 cidades litorâneas da França, como uma suposta prevenção a tumultos ligados ao radicalismo islâmico. A foto que tomou as redes francesas nesta semana foi tirada em Nice, onde um ataque terrorista deixou 86 mortos em julho. A cidade foi uma das primeiras a adotar a medida e 24 mulheres já foram paradas pela polícia desde que o decreto entrou em vigor.

Outra muçulmana, de 34 anos, também relatou ter sido abordada de forma violenta pela polícia, quando estava com seus dois filhos na praia de Cannes. “Eu estava usando um véu clássico e não tinha intenção de nadar”, disse à agência de notícias AFP. “Não estava vestindo um burkini, nem uma burca e não estava nua. Então, considerei a minha roupa apropriada”, afirmou.

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Nesta quinta-feira, o Conselho de Estado da França, órgão mais alto da Justiça do país, irá examinar um pedido da Liga de Direitos Humanos para vetar a proibição dos burkinis. Advogados do grupo afirmam que os decretos municipais temporários são ilegais, porque atentam contra a liberdade religiosa.

“Provocação”

O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy afirmou que vestir um burkini é “um ato político, militante, uma provocação”, que serve de apoio ao islamismo radical. Durante uma entrevista na rede de TV TF1, na quarta-feira, Sarkozy comentou que a França não deve “aprisionar mulheres atrás de um tecido”. Líder do partido conservador Os Republicanos (LR), Sarkozy divulgou nessa semana que pretende concorrer à presidência da França em 2017.

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