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Polícia russa prende 120 opositores de Putin em protesto

Manifestantes saíram às ruas exigindo nova eleição presidencial devido a fraude

Ao menos 120 opositores russos foram presos nesta segunda-feira em protestos contra a vitória do primeiro-ministro Vladimir Putin nas eleições presidenciais de domingo, informou a rede britânica BBC. Em Moscou, milhares de pessoas participaram dos protestos na Praça Pushkin, próxima ao Kremlin, exigindo a repetição do pleito por alegações de fraude. Entre os detidos, estão os líderes oposicionistas Alexei Navalny e Sergei Udaltsov.

“Exigimos eleições parlamentares antecipadas e agora também presidenciais. Consideramos os resultados de 4 de março fraudulentos. As eleições foram uma farsa”, afirmou o liberal Vladimir Richkov durante um comício na histórica Praça Pushkin. Os principais dirigentes do movimento Por Eleições Limpas, organizador da maior onda de protestos antigovernamentais desde a queda da União Soviética, pediram a Putin uma urgente reforma do sistema político.

A presença, que não passou de 30 mil manifestantes, foi muito menor que a prevista pelos organizadores. Eles esperavam atrair mais de 100.000 pessoas, para obrigar o presidente eleito a dialogar com a oposição. Ainda assim, contou com o dobro da participação de uma manifestação pró-Putin, que também aconteceu em Moscou nesta segunda.

“Não reconhecemos como legítimas as eleições presidenciais. Foram utilizadas tecnologias sujas de manipulação eleitoral”, disse Sergei Udaltsov, um dos dirigentes opositores mais radicais, antes de ser preso. Udaltsov adiantou que a oposição extraparlamentar “reforçará a campanha de desobediência civil com protestos grandes, mas pacíficos” e anunciou que a próxima concentração acontecerá no dia 10 de março. Grupos de ativistas mais radicais tentaram se aproximar da sede da Comissão Eleitoral Central (CEC) para denunciar a fraude, ação que terminou em mais de 100 detidos, segundo a organização A Outra Rússia.

São Petesburgo – Enquanto isso, na segunda maior cidade russa, São Petersburgo, região de origem de Putin, cerca de 70 opositores, entre eles dois deputados locais do partido opositor Yabloko, foram detidos quando tentavam chegar ao Parlamento regional, em um protesto que reuniu cerca de 800 pessoas.

A oposição extraparlamentar havia advertido que, se nas eleições presidenciais fosse repetida a fraude das eleições parlamentares de dezembro, seria lançada uma campanha de desobediência civil com protestos indefinidos em escala nacional. “Sairemos às ruas de Moscou e não vamos deixá-las”, disse o advogado e blogueiro Alexei Navalni, o dirigente opositor mais popular, que também foi preso nesta segunda.

Putin, que já presidiu o Kremlin durante oito anos (2000-2008) e exercerá o cargo de presidente russo durante os próximos seis, alcançou o respaldo de 45.602.075 eleitores, mas não superou 50% em Moscou, epicentro dos protestos. “Pedirei ao presidente da CEC, Vladimir Chúrov, que investigue detalhadamente todas as possíveis infrações sobre o que vocês estão falando”, disse. Putin, de 59 anos, deverá assumir o cargo de presidente da Federação da Rússia em maio a partir das mãos de seu antecessor, Dimitri Medvedev, que deverá ser, desta vez, primeiro-ministro.

(Com agência EFE)