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Polícia reprime protesto contra o governo em Istambul

Manifestação contra destruição de parque tornou-se movimento mais amplo contra o partido do premiê Recep Tayyip Erdogan

A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água nesta sexta-feira contra manifestantes que ocupavam um parque no centro de Istambul, na Turquia, ferindo dezenas de pessoas. O confronto levou várias manifestantes e turistas a correr em busca de refúgio em lojas e hotéis no centro da cidade. O protesto começou tendo como foco a destruição do parque Gezi, para dar lugar a um shopping center, mas acabou se tornando um protesto contra o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.

Uma associação de médicos de Istambul afirmou que pelo menos 100 pessoas ficaram feridas, algumas delas no desabamento de um muro no qual subiam para tentar fugir do gás lacrimogêneo. A Anistia Internacional disse estar preocupada com o que descreveu como “o uso excessivo de força” por parte da polícia contra o que começou como um protesto pacífico.

A destruição do parque, último espaço verde significativo no centro de Istambul, deu origem a protestos no início desta semana, que acabaram se tornando uma expressão mais ampla de descontentamento com os planos de desenvolvimento urbano do governo, com o apoio aos rebeldes na vizinha Síria, que muitos acreditam ter feito o conflito chegar ao território turco, e com medidas vistas como autoritárias, entre elas a recente restrição à venda de bebidas alcoólicas na madrugada e as advertências contra demonstrações públicas de afeto.

A Turquia é uma nação governada por um partido islâmico que diz não querer romper com a tradição democrática nacional, mas não esconde a afinidade com grupos fundamentalistas da região. Erdogan é visto por muitos como o líder mais poderoso desde Mustafa Kemal, o Ataturk (pai dos turcos), que fundou a moderna república secular sobre as ruínas do Império Otomano, 90 anos atrás. Mas o aumento da insatisfação popular representa um desafio político para Erdogan, que planeja disputar a presidência em 2014 e tenta alterar a Constituição do país para criar um sistema presidencial mais poderoso.

Em um discurso no início desta semana, o premiê disse que os planos para o parque serão mantidos, “não importa o que eles façam”, referindo-se aos manifestantes. A previsão é que o parque, que fica na Praça Taksim, uma equivalente turca da Praça Tahrir, no Egito, dará lugar a uma réplica de quartéis da era Otomana que vai abrigar o centro comercial.

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(Com agência Reuters)