Polícia reprime manifestantes no centro de Túnis

Por Fethi Belaid - 9 abr 2012, 17h40

Uma manifestação convocada nesta segunda-feira no centro de Túnis derivou em uma explosão de violência, quando os policiais dispersaram com golpes e bombas de gás a multidão que pretendia realizar uma passeata em uma simbólica avenida na qual estão proibidos os protestos.

Pela manhã, centenas de pessoas se reuniram na emblemática avenida Burguiba, fechada para manifestações desde 28 de março, depois de incidentes em uma marcha de islamitas.

“Nem medo nem terror, a avenida pertence ao povo”, gritaram os manifestantes na avenida Burguiba, pedindo o fim da proibição para protestar no local.

Quando a polícia iniciou a repressão com golpes de cacetete e bombas de gás, prendendo manifestantes, as pessoas se refugiaram nas ruas vizinhas ou nos cafés da avenida. Outros grupos se reuniram rapidamente na avenida Mohammed V, perpendicular à avenida Burguiba.

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Ao menos 15 manifestantes e oito policiais ficaram feridos.

“Nós libertamos Túnis, eles não têm o direito de proibir marchas pacíficas”, declarou um manifestante à AFP, Mohsen Ben Henda.

O Ministério do Interior afirmou à AFP que mantém a proibição de protestos na avenida Burguiba.

Em declarações à emissora nacional, o presidente tunisiano, Moncef Marzuki, considerou que “semelhante grau de violência é inaceitável”, e criticou manifestantes e policiais.

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“Lamento profundamente que manifestantes pacíficos tenham ficado feridos”, disse, completando que vários oficiais também se feriram.

“A polícia interceptou um carro no qual havia coquetéis molotov”, afirmou.

A manifestação desta segunda-feira foi convocada pelas redes sociais para lembrar “o dia dos mártires”, lembrando a repressão sangrenta por parte das tropas francesas de uma manifestação em Túnis em 9 de abril de 1938.

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