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Polícia prende mais de 1.000 em protesto por eleições livres na Rússia

Autoridades eleitorais barraram os candidatos opositores na disputa legislativa alegando que não obtiveram assinaturas genuínas suficientes

Por Da redação - Atualizado em 27 jul 2019, 19h54 - Publicado em 27 jul 2019, 16h38

A polícia da Rússia prendeu mais de 1.000 pessoas reunidas em protesto em Moscou neste sábado, 27, para pedir eleições locais livres, apesar do aumento da pressão contra a oposição nos últimos dias. A manifestação começou perto do gabinete do prefeito e acabou sendo empurrado para ruas laterais. Segundo a polícia, o número total de manifestantes era de cerca de 3.500.

Milhares de pessoas já tinham realizado um protesto no sábado anterior, pedindo que os candidatos fossem registrados. A polícia realizou buscas durante a semana e fez uma série de detenções, inclusive do líder opositor Alexei Navalny, preso na última quarta-feira 24.

Mesmo assim, a oposição convocou um novo protesto. “Pessoal, mesmo que eles espanquem todos nós hoje à noite, vocês sabem onde estar no sábado”, escreveu Ilya Yashin, candidato opositor excluído da eleição, em seu Twitter.

As autoridades eleitorais barraram os candidatos opositores na disputa da legislatura alegando que não obtiveram assinaturas genuínas suficientes de eleitores para se registrarem. Os candidatos questionam o argumento e afirmam que o governo quer impedi-los de desafiar o domínio do Kremlin sobre o poder.

O conselho de Moscou tem 45 assentos e é responsável por um grande orçamento municipal. A capital russa tem cerca de 12,6 milhões de habitantes. Atualmente, o conselho é controlado pelo partido pró-Rússia do Kremlin. Todos os seus assentos, com mandato de cinco anos, estão em disputa.

Sem armas

As forças de segurança fizeram centenas de prisões entre os participantes que chegavam à principal via de Moscou, a avenida Tverskaya, aos gritos de “Vergonha” e “Queremos eleições livres”, fazendo eles recuarem para ruas adjacentes. A ONG OVD-Info, especializada no acompanhamento de manifestações, contabilizou 648 prisões até às 13h de Brasília.

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Algumas das prisões foram violentas e uma manifestante ficou ferida na cabeça. “Estávamos nos manifestante pacificamente, não estávamos com armas (…), não demos nenhum motivo para essas prisões violentas”, criticou Anastassia Zabaliueva, de 27 anos, professora de francês e inglês.

Diversos opositores foram presos na manhã deste sábado, como Ilia Yashin, Liubov Sobol e Dmitri Gudkov. Os três foram libertados à tarde. Sobol terá que pagar uma multa de 30.000 rublos (cerca dde 1.700 reais), enquanto Yashin e Gudkov deverão comparecer a um tribunal ainda neste mês.

As casas e gabinetes de vários candidatos impedidos foram alvo de operações de busca e apreensão. O principal opositor do Kremlin, Alexei Navalni, foi condenado a 30 dias de prisão por violar “regras das manifestações”.

Essas ações judiciais ocorrem após a abertura de uma investigação de “obstaculização do trabalho da Comissão Eleitoral” de Moscou, devido às manifestações de meados deste mês. Elas podem gerar penas de até cinco anos de prisão, o que traz à memória as condenações pesadas durante o movimento de 2011-2012 contra a volta de Vladimir Putin à presidência.

A ONG Anistia Internacional, que teme uma “repressão enorme em breve”, criticou uma “tentativa aberta e descarada das autoridades russas de intimidar a oposição”. Antes da manifestação no sábado, a polícia de Moscou emitiu uma advertência aos cidadãos e propôs que jornalistas cobrindo o evento se identificassem, um acontecimento inédito que antecipava as numerosas prisões.

O registro de cerca de 60 candidaturas às eleições do Parlamento de Moscou foi rejeitado, oficialmente por causa de erros na coleta das assinaturas de apoio necessárias. Os candidatos independentes excluídos denunciaram irregularidades fraudulentas e acusaram o prefeito Sergey Sobianin, alinhado ao governo central, de querer sufocar a oposição.

(com AFP e Estadão Conteúdo)

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