Polícia investiga contatos de atirador; Ottawa reforça segurança | VEJA
Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Polícia investiga contatos de atirador; Ottawa reforça segurança

A investigação está focada em descobrir se Michael Zehaf-Bibeau teve colaboradores em sua ação. Moradores fizeram homenagem ao soldado morto

Por Da Redação 24 out 2014, 11h43

(Atualizado às 14h14)

A capital do Canadá teve um terceiro dia de segurança reforçada nesta sexta-feira, e a polícia procura pistas de que o homem que alvejou e matou um soldado e invadiu o edifício do Parlamento tenha tido ajuda no planejamento do ataque. Grupos de moradores de Ottawa se reuniram ao redor do Memorial Nacional de Guerra onde o cabo Nathan Cirillo, de 24 anos, foi assassinado na quarta-feira, no início de um atentado à luz do dia realizado por um homem identificado como Michael Zehaf-Bibeau, cidadão canadense de 32 anos.

“Sinto uma tristeza imensa”, disse April Hall, de 43 anos, médica de London, no Estado de Ontario, sentada diante do monumento e enxugando as lágrimas. “Este memorial é para aqueles que sacrificaram sua vida pelo Canadá, e houve um sacrifício bem aqui.” O ataque de Zehaf-Bibeau, que de acordo com fontes dos Estados Unidos se converteu recentemente ao islamismo, aconteceu dois dias depois de um incidente no Québec, no qual Martin Rouleau, de 25 anos, atropelou dois soldados canadenses com seu carro, matando um deles. Apesar da proximidade dos ataques, a polícia canadense afirmou que não encontrou conexão entre eles.

Leia também

Polícia canadense divulga imagens de atirador em ação

Elizabeth II ficou ‘chocada e entristecida’ com ataque

Continua após a publicidade

Parlamento volta a funcionar com homenagens a soldado morto e a ‘herói’

Os ataques aos soldados ocorreram na mesma semana em que os militares canadenses enviaram seis caças para ajudar a campanha de ataques aéreos contra militantes do Estado Islâmico (EI). A polícia informou que Zehaf-Bibeau havia ido a Ottawa para obter um passaporte e que pretendia viajar à Síria, centro das atividades do Estado Islâmico, juntamente com o Iraque. As autoridades canadenses prometeram levar adiante as ações militares, e nesta sexta-feira duas aeronaves de patrulha de longo alcance devem partir do Estado de Nova Scotia rumo ao Oriente Médio.

À rede britânica BBC, o ministro das Relações Exteriores do Canadá, John Baird, afirmou que o atirador “certamente foi radicalizado”, mas que até o momento não há nenhuma prova que indique sua relação com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI). “Estamos muito preocupados com os cidadãos canadenses radicalizados que estão lutando na Síria e no Iraque, mas não reunimos nenhum indício que ligue os dois [Rouleau e Zehaf-Bibeau] ao grupo extremista [o EI]”.

Drogas e religião – De acordo com jornal canadense The Globe and Mail, Zehaf-Bibeau era viciado em drogas e tentou usar a religião islâmica como uma forma de se libertar de sua dependência. Ele também sofria de distúrbios mentais, segundo registros de saúde do governo canadense. Ele tentou se integrar à comunidade muçulmana, mas as pessoas o enxotavam, afirma a reportagem. Segundo testemunhas, ele “pregava o respeito e a tolerância num dia e fumava crack no outro”.

Sua mãe, Susan Bibeau, lamentou o que aconteceu e disse ao jornal que seu filhos “estava perdido”. “Estou com raiva de nosso filho, eu não entendo e parte de mim quer odiá-lo neste momento”, disse Susan, que é funcionária do departamento de imigração federal. O atirador, Michael Joseph Paul Abdallah Bulgasem Zehaf-Bibeau, nasceu em Montreal e é filho de Susan e Bulgasem Zehaf, um empresário de origem líbia. Ele teve infância e adolescência confortável, e estudou em um rigoroso colégio privado de língua francesa , onde os alunos usavam paletó e gravata e eram penalizados por dizer palavrões ou por ter a camisa para fora da calça. “Ele era um bom garoto, era engraçado”, disse um colega da época do ensino médio, Vito Garofalo, lamentando o que Zehaf-Bibeau fez.

(Com agência Reuters)

Continua após a publicidade
Publicidade