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Polícia francesa liberta reféns e prende sequestrador

Por Eric Cabanis - 20 jun 2012, 12h31

A polícia francesa invadiu um banco de Toulouse (sul do país) onde um homem, que alegava ser militante da Al-Qaeda, fez quatro reféns, libertando os últimos dois deles e prendendo o criminoso, poucos meses depois da região ter sido cenário dos crimes do jihadista Mohamed Merah.

O homem afirmava ser integrante da rede terrorista, mas segundo fontes judiciais poderia sofrer de problemas psiquiátricos.

Fontes policiais afirmaram que o sequestrador foi ferido na ação, que começou às 16H45 locais (11H45 de Brasília), depois que foram ouvidos três disparos dentro da agência e após ele ter libertado duas reféns.

Os funcionários do banco foram libertados sãos e salvos.

O homem afirmou que não atuava por dinheiro e que suas motivações respondiam a convicções religiosas, segundo o promotor da cidade, Michel Valet.

O homem entrou no banco às 10H00 locais e fechou a agência com quatro reféns, incluindo o gerente do local.

O sequestrador deu um tiro ao anunciar o sequestro, mas ninguém ficou ferido.

Ele havia solicitado dinheiro aos funcionários, que não o levaram a sério. Em seguida, sacou a arma e anunciou o sequestro. Uma fonte policial informou que o cidadão tem ficha criminal, mas não informou os crimes nem sua identidade.

“Não sabemos se foi um assalto que terminou mal ou uma ação deliberada”, disse uma fonte.

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Outra fonte ligada ao caso afirmou que o homem é esquizofrênico e poderia ser um caso de “interrupção de tratamento”.

A polícia criou um perímetro de segurança ao redor da agência para afastar os curiosos.

Os pais dos alunos de uma escola vizinha ao banco foram chamados para buscar os filhos.

A tomada de reféns aconteceu a 500 metros do edifício no qual Mohamed Merah ficou entrincheirado, antes de ser morto em uma ação da unidade de elite da polícia francesa.

A cidade de Toulouse foi cenário em março dos ataques de Merah, um jihadista que matou três militares e quatro judeus, incluindo três crianças.

Merah, que alegava ser membro da Al-Qaeda, morreu em 22 de março em uma ação policial.

O caso Merah revelou lacunas da contraespionagem francesa, criticada por não ter vigiado mais de perto um homem que havia viajado ao Paquistão e Afeganistão.

Os ataques de Merah, que comoveram a França, foram comentados em fóruns jihadistas, nos quais algumas pessoas chegaram a defendê-lo, segundo o centro americano de vigilância de sites islamitas (SITE).

Um imã conservador de Toulouse, Abdelfattah Rahhaoui, advertiu em um vídeo os jovens muçulmanos da França que não se deixassem arrastar, como Merah, a ações violentas por uma leitura equivocada do islã e por poucos fanáticos.

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