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Polícia e estudantes se enfrentam em greve geral na França

Na véspera da votação da reforma no Senado, 3,5 mi de pessoas foram às ruas, dizem os sindicatos. Já o governo fala de 1,1 mi de manifestantes

A polícia francesa voltou a enfrentar manifestantes contrários à reforma previdenciária do presidente Nicolas Sarkozy no sexto dia seguido de greves no país. Os sindicatos franceses afirmam que 3,5 milhões de pessoas saíram às ruas. O ministério do Interior divulgou um número menor, de 1,1 milhão de manifestantes. No total, foram 266 marchas convocadas em todo o país.

Em Nanterre, no subúrbio de Paris, estudantes atiraram pedras e queimaram pneus. Eles foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo. Uma escola secundária do local foi fechada após confronto de policiais e estudantes. Dois fotógrafos da agência Associated Press foram feridos durante o protesto. Em Le Mans, um colégio foi incendiado na madrugada.

Os confrontos mais violentos ocorreram em Lyon, onde jovens colocaram fogo em carros e latas de lixo e depredaram pontos de ônibus.

Em Paris, cerca de 300 estudantes montaram barricadas nas praças da República, onde houve confronto com a polícia, e da Bastilha.

Greve geral – Sindicatos franceses têm uma longa tradição de protestos, mas a greve atual é particularmente preocupante porque afeta o setor de energia do país e está mobilizando jovens.

As greves, que afetam os serviços de trens metropolitanos, metrô, aeroportos, portos, correios e refinarias provocaram o cancelamento de centenas de voos e filas para abastecimento de combustível em diversas cidades.

De acordo com a agência francesa de aviação civil, metade dos voos do aeroporto regional de Orly, em Paris, foi cancelada. Em outros terminais do país, o índice de voos interrompidos é de 30%. A maioria das rotas afetadas são de voos domésticos e continentais de curta e média duração.

O cenário é resultado de uma greve nas 12 refinarias do país. Cerca de mil postos de gasolina estão fechados. Além disso, ao redor de 4.000 reservatórios de gás – o que representa 31% do total existente no país – estão vazias.

Em Marselha, os portuários e os garis também estão de braços cruzados. Pilhas de lixo estão se acumulando na calçada.

Reforma previdenciária – Os protestos tentam impedir que o Senado aprove uma lei que aumentará a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos de idade, com o objetivo de prevenir um buraco no sistema previdenciário enquanto a expectativa de vida no país só aumenta e poucos jovens contribuem com o sistema de pensões.

A população, no entanto, acredita que a reforma é apenas um passo rumo a destruição do Estado de bem-estar social francês, reconhecido por conceder benefícios sociais generosos, como férias longas, contratos que dificultam a demissão de empregados e um sistema de saúde subsidiado pelo governo.

O presidente Nicolás Sarkozy já afirmou que a reforma é prioridade de seu governo. A medida, no entanto, pode custar caro ao governante: pesquisas indicam que Sarkozy, que assumiu o poder em 2007, atravessa seu momento de maior impopularidade.

O último estudo, publicado hoje pelo jornal Liberation, diz que 61% dos franceses desaprovam seu governo, e apenas 35% são favoráveis ao presidente.

(Com Reuters e AFP)