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Polícia dispersa manifestantes e rei pede coesão no Bahrein

Por - 14 fev 2012, 10h26

As forças antimotins do Bahrein dispersaram violentamente nesta terça-feira manifestantes que celebravam o aniversário do início dos protestos contra o regime, cuja repressão afundou este pequeno reino do Golfo em um atoleiro político.

Em um discurso no qual não se referiu ao aniversário do levante, o rei Hamad Ben Isa Al Khalifa convocou a “coesão” entre as comunidades xiita e sunita, hoje, mais do que nunca, divididas.

A polícia, mobilizada nas principais artérias, interveio para dispersar centenas de manifestantes que tentaram se aproximar da praça da Pérola, símbolo da contestação em Manama.

Segundo testemunhas, a polícia prendeu vários manifestantes, entre os quais mulheres que tentaram se aproximar da praça, totalmente cercada por tanques.

As autoridades intensificaram as restrições devido ao aniversário do levante, abstendo-se, em particular, de conceder vistos aos correspondentes da imprensa estrangeira.

Alguns dos jovens manifestantes, provenientes dos povoados xiitas dos arredores de Manama, conseguiram chegar a até cerca de 500 metros da Praça da Pérola, apesar do grande dispositivo de segurança que a rodeava, indicaram as testemunhas.

“Abaixo o rei Hamad”, gritavam os jovens, alguns dos quais vestidos com uma mortalha branca, para declarar sua disposição ao martírio, e segurando a bandeira vermelha e branca do Bahrein.

A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os jovens, que protestavam ao chamado da coalizão “Jovens de 14 de fevereiro”, grupo radical que utiliza as redes sociais para suas mobilizações.

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A coalizão havia proclamado esta terça-feira como o “dia do retorno” à Praça da Pérola.

Desde domingo, os militantes tentam desafiar a polícia e avançar em direção à praça, onde os opositores realizaram um protesto de 14 de fevereiro a meados de março de 2012 antes de serem violentamente expulsos pelas autoridades, que destruíram o monumento central da praça.

Mas os partidos da oposição tradicional, dirigidos pelo Wefaq, não apoiaram o chamado para marchar até a praça.

Esta praça “se converteu em um símbolo do movimento de reivindicação”, mas não é o único local das manifestações, anunciaram em um comunicado.

“Todas as praças e as ruas de nosso país são locais onde renovamos nosso compromisso de continuar com a luta até obter satisfação a nossas reivindicações”, acrescentaram, reiterando a demanda por um Parlamento com plenos poderes e um governo resultante de uma eleição.

Sem evocar a celebração da contestação, em um discurso, o rei Hamad convocou “um espírito de coesão e de reunificação entre todos os componentes do povo do Bahrein”.

“O processo de reformas, de desenvolvimento e de modernização de nosso país continuará com uma participação popular mais ampla, que se expressará mediante uma Assembleia eleita para exercer seu papel de controle sobre a ação do governo”, prometeu.

Os Estados Unidos pediram na segunda-feira “moderação” no Bahrein, sede da Quinta Frota, convocando todas as partes a “evitar a violência” e “a encontrar o meio de iniciar um verdadeiro diálogo sobre o futuro político” do país.

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