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Polícia dispersa manifestantes e controla praça em Istambul

Há quase duas semanas eles protestam contra o governo de Recep Erdogan

Por Da Redação 11 jun 2013, 03h26

Com veículos blindados, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água, a polícia turca dispersou nesta terça-feira os manifestantes que há quase duas semanas protestam contra o governo na Praça Taksim, em Istambul. Por meio de alto-falantes, a polícia anunciou que não iria efetuar a retirada dos manifestantes reunidos no acampamento do Parque Gezi, vizinho à praça, mas apenas evacuar a Taksim e seus arredores, o que se confirmou pouco depois do início da operação.

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Os policiais cercaram a Praça Taksim no começo da manhã em Istambul (por volta de 1h30 em Brasília) e começaram a atravessar as várias barricadas levantadas para impedir o acesso ao local e se aproximar do Centro Cultural Atatürk, um edifício em construção com vários andares, também ocupado pelos manifestantes. Os agentes enfrentaram um grupo que respondeu lançando coquetéis molotov, paralelepípedos e pedaços de pau. Os policiais responderam com de gás lacrimogêneo e jatos d’água, e pediram aos manifestantes que não lançassem pedras e garrafas.

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Vários veículos chegaram até as proximidades do estádio de futebol do Besiktas, no caminho entre a praça e o bairro de mesmo nome, cenário frequente de conflitos nos últimos dias. Desde segunda-feira à noite corriam rumores de uma iminente intervenção policial, apesar do governador de Istambul, Hüseyin Avni Mutlu, ter afirmado nas redes sociais que não iria retirar os manifestantes do Parque Gezi.

No entanto, em uma entrevista coletiva, o vice-primeiro-ministro Bülent Arinç anunciou que não iria tolerar “atividades ilegais”. Ele prometeu que o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, se reunirá com os manifestantes acampados no Parque Gezi na quarta-feira. Os líderes dos protestos na Praça Taksim, porém, responderam que não receberam nenhum convite para tal reunião.

Descontentamento – Os protestos antigoverno na Turquia começaram após o anúncio da destruição do Parque Gezi, na Praça Taksim, para um projeto de urbanização – plano que será mantido, garantiu o premiê Recep Erdogan. No entanto, as manifestações acabaram se tornando uma expressão mais ampla do descontentamento popular com os planos de desenvolvimento urbano do governo, com o apoio aos rebeldes na vizinha Síria – que muitos acreditam ter feito o conflito chegar ao território turco – e também com medidas vistas como autoritárias, entre elas a recente restrição à venda de bebidas alcoólicas na madrugada e as advertências contra demonstrações públicas de afeto.

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Nas últimas duas semanas, três pessoas, incluindo um policial, morreram nas manifestações, e centenas ficaram feridas ou foram detidas. Há informações não confirmadas sobre uma quarta morte nos protestos. Os manifestantes pedem a libertação das pessoas detidas, o fim do projeto urbanístico da Praça Taksim, a proibição do uso de gás lacrimogêneo e mais respeito à liberdade de expressão. Eles acusam Erdogan de autoritarismo e de querer islamizar a Turquia.

(Com agência EFE)

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