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Polícia de Cuba detém 50 Damas de Branco às vésperas de visita papal

A polícia de Cuba deteve neste domingo cinquenta ativistas do grupo opositor Damas de Branco em duas operações diferentes, realizadas a oito dias da chegada do papa Bento XVI à ilha, enquanto dissidentes intensificam seus protestos.

Cerca de 20 Damas de Branco foram detidas depois do meio-dia, enquanto participavam de uma marcha após assistirem à missa na paróquia de Santa Rita, observou um jornalista da AFP, horas depois de outras 33 ativistas terem detidas quando se dirigiam à mesma igreja, informou uma opositora.

“Estavam prestes a sair da sede (do grupo de oposição) para participar da missa que se celebra todos os domingos, mas quando saíram, todas foram detidas”, disse à imprensa Odalys Sanabria, membro de Damas de Branco.

Entre as detidas estava Berta Soler, líder do grupo, disse Sanabria.

Mais tarde, 20 ativistas, lideradas por Sanabria, chegaram à igreja de Santa Rita, mas quando faziam sua caminhada após a missa pela Quinta Avenida de Miramar, foram interceptadas pela polícia e detidas, observou um jornalista da AFP.

Em frente ao restaurante Kasalta, no leste de Havana, um grupo foi cercado por policiais femininas à paisana, apoiadas por agentes homens, e conduzido para dentro de um ônibus, no qual entraram mais policiais mulheres, todas em trajes civis.

Policiais uniformizados interromperam o trânsito durante esta operação, que ocorreu após o meio-dia, e no qual também foram detidos três homens, entre eles o ex-preso político Angel Moya, marido de Berta Soler.

O grupo Damas de Branco, criado em 2003 por mulheres e familiares de 75 opositores presos naquele ano, estiveram reunidas de quinta até sábado em sua sede por ocasião do nono aniversário destas prisões, um evento ao qual denominam de “Primavera Negra”.

No sábado, Soler e outras 20 mulheres saíram para fazer uma caminhada, mas foram interceptadas, detidas e levadas a uma delegacia policial no bairro do Cerro, onde ficaram até a meia-noite, quando foram libertadas.

Enquanto estavam detidas, 30 ativistas que ficaram na sede do grupo foram alvo de um “ato de repúdio” durante cerca de três horas por parte de uma centena de simpatizantes do governo comunista, basicamente universitários que gritavam palavras de ordem e dançavam com a música reproduzida por um alto-falante.

A dissidência está intensificando seus protestos ante a aproximação da visita do Papa, entre 26 e 28 de março, mas o Sumo Pontífice não tem previsto reunir-se com os opositores cubanos, considerados por Havana “mercenários” dos Estados Unidos.