Polarização explosiva

Opositores de Donald Trump — entre eles, o ex-presidente Obama — recebem bombas caseiras enviadas pelo correio. O responsável ainda não foi descoberto

Por Thais Navarro - 26 out 2018, 07h00

Políticos do Partido Democrata e simpatizantes foram surpreendidos na semana passada com bombas caseiras enviadas pelo correio. Os artefatos foram descobertos por membros do serviço secreto, do FBI e funcionários dos correios. Nenhum dos objetos chegou a explodir. Entre os destinatários, só opositores de Donald Trump: o ex-presidente Barack Obama, o ex-­vice Joe Biden, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o governador de Nova York, Andrew Cuomo. Um pacote também foi enviado ao edifício do canal de televisão CNN em Nova York. Outro foi encontrado na segunda 22 na casa do bilionário George Soros. Na quinta-feira pela manhã, seguranças avistaram um objeto suspeito na empresa do ator Robert de Niro, um democrata de longa data. No campo do remetente, as peças traziam o endereço da deputada Debbie Wasserman Schultz, da Flórida.

Os envelopes eram grandes, amarelos e continham bombas com tubos de PVC de pouco mais de 15 centímetros de comprimento, envoltas com fita preta e cronômetros. Parecem ter sido enviados pela mesma pessoa. Como relógios só são adicionados nas bombas em filmes de Hollywood para acrescentar efeito dramático, alguns especialistas duvidavam que elas pudessem explodir. O efeito do terrorismo doméstico, porém, foi cumprido. O autor espalhou o pânico e chamou atenção.

Depois da notícia, Trump disse que era o momento de unir os americanos, mas deu uma fraquejada e voltou a atacar seus inimigos. “A imprensa também tem a responsabilidade de determinar o tom cortês e parar com a hostilidade infindável e ataques falsos”, disse. O presidente da CNN, Jeff Zucker, revidou: “O presidente deve saber que as palavras importam”.

Publicado em VEJA de 31 de outubro de 2018, edição nº 2606

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