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Plano da Califórnia para poupar água prevê cortes no consumo e multas pesadas

A nova legislação estadual é a primeira nos EUA que obriga os consumidores residenciais e comerciais a reduzirem o consumo de água. Estado enfrenta uma longa seca

Por Da Redação 8 abr 2015, 11h20

Cidades do Estado da Califórnia, no leste dos Estados Unidos, serão obrigadas a reduzir o consumo de água em até 35% ou enfrentarão multas pesadas, de acordo com novas regras propostas por um órgão regulador. A legislação é a primeira nos EUA que determina expressamente cortes obrigatórios no uso da água urbana. A Califórnia, Estado mais rico do país, vive um longo período de seca. O Conselho da Água propôs a aplicação de uma multa às companhias de água municipais e privadas de até 10.000 dólares (30.000 reais) por dia se não persuadirem moradores e empresas a cumprirem suas metas de conservação. As determinações propostas também exigem que as empresas encarregadas do abastecimento de água informem regularmente o Estado sobre seus progressos. Mesmo os menores fornecedores terão de coletar dados de uso.

Comunidades que já utilizam pouca água, como a cidade costeira de Santa Cruz, só terão de fazer uma redução de 10%, com base nesse plano, mas áreas mais áridas, como o deserto do Vale de Coachella, serão obrigadas a aplicar cortes mais acentuados. “Estamos nos movendo muito rapidamente, porque é uma situação de emergência”, disse Felicia Marcus, presidente do Conselho de Controle de Recursos Hídricos do Estado, principal órgão regulador de água do Estado. “Nós queremos ter certeza de que todos os serviços locais de abastecimento de água estejam com ações em andamento a tempo para os meses quentes do verão”, completou.

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As táticas em estudo para um plano de conservação, ainda em desenvolvimento, foram publicadas no site do órgão regulador da água na terça-feira, poucos dias depois de o governador da Califórnia, Jerry Brown, ordenar cortes obrigatórios no consumo urbano de água, à medida que a seca no Estado entra em seu quarto ano. Para atingir os 25% de redução em todo Estado, o Conselho da Água propôs que sejam exigidas reduções maiores de algumas áreas do que de outras.

Setor agrícola poupado – Até agora, as restrições propostas têm focado em usuários urbanos, apesar de eles representarem apenas 20% do consumo de água do Estado, enquanto o setor agrícola, que o Instituto de Políticas Públicas da Califórnia diz que responde por 80% do consumo, permanece isento. O governador rechaçou a ideia de aplicar sanções à indústria agropecuária e disse que estender as políticas à agricultura iria prejudicar ainda mais os produtores rurais, que já sofrem com a seca prolongada. “Existem pessoas na agricultura que estão realmente sofrendo”, afirmou Brown. “Os fazendeiros deixaram de cultivar centenas de milhares de acres de terra. Eles estão extraindo vinhas e árvores. Trabalhadores rurais que estão no ponto mais baixo da cadeia econômica aqui estão sem emprego”, explicou.

Ironicamente, durante a discussão do Conselho sobre a ordem de conservação na terça-feira, estava chovendo e a neve caía sobre os picos das montanhas de Sierra Nevada, que estavam secas quando Brown fez o anúncio na quinta-feira. A rede de captação da Califórnia foi projetada para capturar a água que derrete do gelo após o inverno, mas, neste ano, os reservatórios do Estado chegaram ao início da primavera (no hemisfério norte) com 50% da sua capacidade e não devem encher muito daqui em diante devido aos níveis historicamente baixos de neve registrados. A situação pode se tornar crítica no verão, quando o calor eleva o consumo de água, sendo que a temporada chuvosa na região não começa antes do outono.

Os dados divulgados no dia da reunião mostram que a redução no uso da água entre os californianos foi de 2,8% em fevereiro em relação ao mesmo mês em 2014, uma forte desaceleração em relação à queda de 22% no consumo em dezembro e 8% em janeiro.

Reservatórios aparecem vazios em Palmdale, Califórnia
Reservatórios aparecem vazios em Palmdale, Califórnia VEJA

(Da redação)

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