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Piora o estado de saúde de Ariel Sharon

'Não temos bons sinais para o futuro', diz diretor de hospital em Tel-Aviv

A saúde do ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, que já era crítica, agravou-se nesta sexta-feira à medida em que o funcionamento de órgãos importantes continua a piorar, informou o hospital onde está internado. Sharon, de 85 anos, está em coma há oito anos após um grave acidente vascular cerebral. Segundo o doutor Zeev Rotstein, diretor do hospital Sheba, em Tel-Aviv, o ex-premiê luta pela vida, mas não sente dor. O diretor se recusou a fazer um prognóstico, mas ao ser perguntado se Sharon vai se recuperar, disse que “observando a tendência da deterioração, não temos bons sinais para o futuro”.

Falando a jornalistas nesta sexta-feira no hospital, Rotstein disse que a vida de Sharon continua em perigo e que “há uma deterioração lenta e gradual” de seu estado de saúde. Resultados de exames mostram também que Sharon tem uma infecção no sangue, declarou Rotstein. Referindo-se a Sharon por seu apelido, “Arik”, Rotstein disse que ele “está lutando como um verdadeiro guerreiro, como fez durante toda a sua vida”.

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Sharon é uma das figuras mais icônicas e controversas de Israel e sua carreira se estende pelos 65 anos de história de Israel. A vida de Ariel Sharon é marcada pela preparação e condução, em 1982, da invasão ao Líbano, quando era ministro da Defesa. Ele também foi o grande líder da direita nacionalista que operou a retirada israelense da Faixa de Gaza. Uma comissão de investigação oficial concluiu que o então ministro teve responsabilidade por não prever e nem impedir os massacres nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila em Beirute, em setembro de 1982, cometidos por uma milícia cristã aliada a Israel. Por esta razão, foi obrigado a renunciar.

Mas isso não impediu sua eleição como primeiro-ministro em 2001, e um segundo mandato em 2003. Após apresentar-se como fervoroso partidário da colonização dos Territórios Palestinos, organizou em 2005 a retirada israelense da Faixa de Gaza e o desmantelamento dos assentamentos nesta região.

Em 18 de dezembro de 2005, foi hospitalizado após um leve derrame cerebral, do qual se recuperou rapidamente. Mas, em 4 de janeiro de 2006, um grave derrame cerebral fez com que mergulhasse em um coma profundo, sem sinais de que poderia voltar a si.

(Com Estadão Conteúdo)