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Piñera anuncia bônus de R$ 520 para famílias de baixa renda

Medida para 'aliviar a crise' será enviada ao Congresso e responde à onda de protestos no país e ao recuo no crescimento econômico

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou nesta terça-feira, 3, que enviará ao Congresso um projeto de lei para beneficiar cerca de 1,3 milhões de famílias de baixa renda com um bônus mensal de 520,70 reais. A medida tem o objetivo de amenizar a pressão popular contra o elevado nível de concentração de renda no país, expressa nas manifestações iniciadas em outubro.

“Vamos enviar um projeto de lei para o Congresso que permite conceder um bônus que, em média, vai ser de 100.000 pesos por família a 1.336.000 famílias chilenas”, declarou o presidente um dia depois de seu governo anunciar um plano de de 5 bilhões de dólares para reativar a economia.

A economia no Chile recebeu um duro golpe nas últimas semanas. O ministro da Fazenda, Ignacio Briones, divulgou na segunda-feira 2 o recuo de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em outubro, quando os protestos tiveram início. O governo estima a perda de 300.000 postos de trabalho no país até o final do ano.

“Eu sei que os bônus não resolvem problemas, ou não todos, mas também sei que isso significa uma ajuda importante no momento em que muitas famílias precisam tanto”, disse Piñera.

O plano de reativação da economia chilena prevê a criação de 100.000 vagas de trabalho em 2020 e o aumento do gasto social do governo em 9,9% – o maior aumento desde 2009.

Os protestos tiveram início com o anúncio do aumento da passagem de metrô, no final de outubro. Logo as demandas foram amplicadas, assim como a reação das forças de segurança. O número de mortos durante as manifestações alcançou 23, enquanto denúncias de violência e de abusos policiais começaram a aparecer. Cerca de 200 pessoas ficaram cegas por causa de disparos direcionados aos olhos.

Como resposta, além do plano de reativação da economia, o governo chileno anunciou que será realizado um plebiscito em abril de 2020 para decidir se o país irá elaborar uma nova Constituição, já que a atual data do período da última ditadura militar no país.

Em meio a essa onda de protestos contra o governo, uma pesquisa da consultoria Cadem divulgada na segunda-feira também mostrou que a popularidade de Piñera, caiu para 10%, o patamar mais baixo já registrado por um chefe de Estado desde a redemocratização do país, em 1990.