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PF abre inquérito para investigar espionagem, segundo TV

Investigação teria começado em julho e a Polícia Federal quer interrogar, fora do país, presidentes das empresas Google, Facebook, Apple, Microsoft e Yahoo

A Polícia Federal decidiu instaurar um inquérito para investigar denúncias de que os Estados Unidos teriam espionado empresas e o governo brasileiro. Os agentes pretendem ouvir, fora do país, CEOs de grandes companhias de tecnologia, como Google, Facebook, Apple, Microsoft e Yahoo. As informações são da edição desta quinta-feira do Jornal da Globo.

Segundo documentos obtidos pelo jornal, a investigação está em curso e teria começado em julho. A PF já solicitou o interrogatório de Edward Snowden, ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA). O interrogatório fora do território nacional é autorizado por um acordo de cooperação jurídica internacional, que possibilita o intercâmbio de informações entre Brasil e EUA em investigações criminais. Ainda de acordo com documentos obtidos pelo Jornal da Globo, os pedidos de interrogatório seriam traduzidos e enviados ao Departamento de Justiça dos EUA.

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A possibilidade de investigação já tinha sido sinalizada pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em julho, após reportagem do jornal O Globo revelar que o Brasil havia sido alvo de monitoramento dos EUA. Segundo os documentos, a NSA colheu informações sigilosas de empresas e de pessoas residentes ou em trânsito no país. Cerca de 2,3 bilhões de telefonemas e e-mails teriam sido alvo de espionagem, com uso de programas de computador e auxílio de empresas privadas.

Em setembro, reportagens feitas com base em documentos entregues por Snowden indicaram que as comunicações pessoais da presidente Dilma com assessores do governo e a empresa estatal Petrobras teriam sido espionados pelo Departamento de Defesa do governo americano. Por causa disso, a presidente cancelou a visita de estado que faria no dia 23 de outubro a Washington. No final de setembro, ao falar na Assembleia Geral da ONU, Dilma classificou a espionagem americana como violação dos direitos humanos.