Petição em Portugal quer proibir motoristas de dirigir a partir dos 75 anos
Proposta se provou capaz de fazer barulho, mas não de mobilizar apoiadores em torno da ideia polêmica
Uma petição que propõe proibir pessoas maiores de 75 anos de dirigir em Portugal está recolhendo assinaturas desde 1º de abril, com objetivo de ser submetida à Assembleia da República. A iniciativa colocou no centro do debate até que ponto a idade, por si só, deve ser usada como critério para limitar ou retirar o direito de conduzir automóvel.
De autoria de Nélson Manuel de Oliveira Ferreira, que alerta para “situações inaceitáveis” nas estradas portuguesas, o texto denuncia o risco de “condutores idosos na contra-mão, acidentes evitáveis e vidas colocadas em risco por pessoas que já não possuem condições para conduzir”.
No documento, o autor argumenta que não se tratariam de casos isolados, mas “sinais claros de incapacidade”, defendendo que o envelhecimento comprometeria de forma fundamental a habilidade de dirigir.
“A partir dos 75 anos, o declínio cognitivo, visual e motor é uma realidade inevitável”, diz a petição, que refere ainda “tempo de reação reduzido, perda de percepção e falhas de julgamento” como fatores que tornam idosos atrás do volante “perigosamente imprevisíveis”.
O documento critica ainda o atual modelo de avaliação, considerando que pareceres médicos são “pontuais” e, portanto, não preveem o estado do condutor dali “dias ou semanas”.
“Quantas mais pessoas terão de morrer até se agir?”, questiona o autor, que pede a expiração automática da validade da carteira de motorista aos 75 anos, ao mesmo tempo que menciona a necessidade de criação de “alternativas de mobilidade para a população idosa”, aparentemente para minimizar o impacto da polêmica medida.
A proposta, embora tenha feito barulho, parece pouco séria; tampouco mostrou capacidade de mobilizar apoio, com apenas 274 assinaturas. Especialistas, em paralelo, alertam para o risco de discriminação etária, defendendo que a aptidão para conduzir deve ser avaliada individualmente.
Portugal tem uma das populações mais idosas da União Europeia. Cidadãos com 65 anos ou mais representam 24,3% dos habitantes, segundo dados oficiais de 2025, uma proporção que deve alcançar quase 40% em 2100. O país enfrenta um envelhecimento populacional acelerado, com cerca de 39 idosos para cada 100 jovens em idade ativa (parte do mercado de trabalho).





