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Peru: saúde de Fujimori reacende debate sobre indulto

Um informe médico sobre o ex-presidente Alberto Fujimori, de 73 anos, preso desde 2007, recomendando estrito controle sobre a saúde dele, reacendeu o debate sobre um eventual indulto por questões humanitárias, depois de um documento sobre os males que ele sofre vazar para a imprensa nesta quinta-feira.

A saúde de Fujimori é considerada estável, mas há um alto risco de reincidência de um câncer de língua, do qual foi operado mais de uma vez; além disso, sofre com um cisto no pâncreas, hipertensão arterial e depressão, diagnosticaram oito médicos do Ministério da Saúde. Os exames foram feitos no dia 15 de outubro, a pedido da Corte de Justiça de Lima.

A família de Fujimori não entrou com nenhuma ação junto ao governo para pedir o indulto que se concede tradicionalmente no Peru, no fim do ano, por causa das festas natalinas, mas avalia sua apresentação, segundo um de seus filhos.

Kenyi Fujimori, congressista e filha mais nova do ex-presidente, disse que “a família pedirá um indulto humanitário para seu pai. “A saúde dele se deteriora, está grave”, disse a jornalistas, sem falar em datas precisas.

“A saúde do ex-presidente Fujimori está seriamente comprometida”, disse à rádio RPP, seu médico pessoal e congressista Alejandro Aguinaga. Aguinaga pediu ao governo do presidente Ollanta Humala a avaliação de uma “graça presidencial para Fujimori”.

A legislação peruana estipula, entre outros pontos, que, para os casos de indultos por razões humanitárias, a pessoa beneficiada deva ter doença terminal.

Segundo o boletim médico, Fujimori é uma “pessoa cronicamente enferma”, que precisa de “controle estrito e periódico”. Sustenta, no entanto, que ele apresenta um quadro estável, “do ponto de vista físico, neurológico e mental” e que se recupera de forma favorável de uma pancada na cabeça, que levou ao cair de sua cama, na base policial de Lima.

O ex-presidente Fujimori (1990-2000) foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão, como autor intelectual da morte de 25 civis, nas mãos de um esquadrão o exército, como parte de uma luta contra o grupo maoísta Sendero Luminoso.