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Peru decreta emergência em 800 municípios por risco de chuvas do El Niño

Medida abrange 40% das regiões do país e vale por 60 dias, após autoridades elevarem alerta para inundações e deslizamentos

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 19h29
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O governo do Peru decretou estado de emergência em 796 distritos, o equivalente a cerca de 40% dos municípios do país, diante do risco de fortes chuvas provocadas pelo fenômeno climático El Niño. A medida, publicada nesta quinta-feira, 2, terá duração de 60 dias e autoriza a adoção de ações extraordinárias para reduzir os impactos de possíveis enchentes e deslizamentos.

O decreto, assinado pelo presidente interino José María Balcázar, abrange distritos de 22 departamentos, incluindo regiões como Lima, Cusco e Arequipa. Os governos regionais e municipais deverão atuar em conjunto com a Defesa Civil e os ministérios para implementar medidas preventivas e de resposta rápida.

A decisão amplia um regime de emergência em vigor desde janeiro e foi tomada após o Centro Nacional de Estimativa, Prevenção e Redução do Risco de Desastres (Cenepred) apontar que mais de 9,3 milhões de pessoas vivem em áreas com risco muito elevado de inundações e deslizamentos.

As ações previstas incluem obras emergenciais, proteção da infraestrutura e medidas para reduzir danos à população. O governo informou que os custos serão cobertos pelos orçamentos já existentes dos órgãos envolvidos, sem necessidade de recursos adicionais do Tesouro.

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O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, capaz de alterar padrões climáticos em diversas partes do mundo. Enquanto algumas regiões enfrentam secas severas, outras registram chuvas intensas e eventos meteorológicos extremos. No litoral peruano, os efeitos já começaram a ser sentidos, com temperaturas chegando a 26°C — cerca de cinco graus acima da média para esta época do ano.

As autoridades peruanas elevaram de “moderada” para “forte” a previsão de intensidade do El Niño entre junho e setembro e estimam que seus efeitos possam se estender até o primeiro trimestre de 2027.

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Nos Estados Unidos, cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) calculam que há 63% de probabilidade de o planeta registrar um episódio de El Niño muito forte entre novembro e janeiro, potencialmente entre os mais intensos observados desde 1950.

O histórico do fenômeno no Peru reforça a preocupação das autoridades. Em 2023, as chuvas associadas ao El Niño provocaram inundações e deslizamentos que deixaram 99 mortos. Os episódios mais devastadores ocorreram entre 1997 e 1998, quando cerca de 500 pessoas morreram e o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu 6%. Já entre 1982 e 1983, o desastre resultou em aproximadamente 9 mil mortes e uma retração de 11,6% da economia peruana.

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