Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Perícia indica que não havia pólvora na mão de Nisman

Responsável pela investigação da morte afirma que ausência de traços de pólvora pode ser consequência do fato de a arma usada ser de baixo calibre

O teste para determinar se havia traços de pólvora nas mãos do procurador-geral argentino Alberto Nisman “deu negativo”, informou nesta terça-feira Viviana Fein, a promotora que investiga a morte, após o corpo dele ter sido encontrado com um disparo na cabeça em seu apartamento em Porto Madero, uma área nobre de Buenos Aires.

“Por ser uma arma de calibre pequeno, 22 e não uma arma de guerra, normalmente isso provoca que a varredura eletrônica não indique resultados positivos”, argumentou Fein à rádio Mitre após explicar que as perícias deram negativo. “Isso não descarta que ele mesmo a tenha disparado”, acrescentou a promotora, que pediu que seja esperado o resultado de todos os exames solicitados, entre eles o de DNA do sangue achado na arma.

Leia também

Bilhete de Nisman para sua diarista aumenta dúvidas sobre o caso

Promotora investiga hipótese de ‘indução ao suicídio’ no caso Nisman

Em carta, Cristina fala sobre ‘suicídio’ de promotor e tenta desqualificar investigação

Há motivos, no entanto, para manter o ceticismo diante da hipótese de suicídio. O promotor havia sido alvo de ameaças – em uma ocasião, um recado foi deixado em sua secretária eletrônica advertindo que ele seria caçado e levado a uma prisão iraniana. Além disso, a denúncia contra Cristina apresentada na quarta-feira e a audiência marcada para esta semana no Congresso com o objetivo de apresentar mais detalhes representava o coroamento de um trabalho de investigação iniciado há mais de dez anos.

O promotor Alberto Nisman foi encontrado morto na madrugada de segunda-feira em seu apartamento em Puerto Madero, Buenos Aires. Na última semana, ele havia apresentado uma longa denúncia envolvendo a presidente Cristina Kirchner e vários apoiadores, segundo a qual o governo agiu para acobertar iranianos envolvidos no atentado contra a sede do centro judaico Amia, em julho de 1994, que deixou 85 mortos.

Leia mais:

Cristina Kirchner é acusada de encobrir envolvimento do Irã em atentado

Promotor argentino acusa Irã de infiltração terrorista na América do Sul

Com manobra na Câmara, Argentina aprova pacto com Irã

A morte do procurador-geral provocou forte comoção na sociedade argentina. Ontem, milhares de pessoas manifestaram-se pelas redes sociais, sob a frase #YoSoyNisman, e foram às ruas das principais cidades do país para pedir justiça.

(Com agência EFE)