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Perícia de roupas de indiciado no caso Nisman dá negativo para sangue

Diego Lagomarsino foi acusado de entregar uma pistola a Alberto Nisman da qual o promotor não era o 'legítimo usuário', crime previsto na Argentina

Deram negativos para sangue os resultados da perícia realizada nas roupas de Diego Lagomarsino, único indiciado nas investigações sobre a morte do procurador-geral argentino Alberto Nisman. A informação, divulgada pelo jornal Clarín, era esperada pela defesa do técnico de computação. As análises químicas foram realizadas em roupas, sapatos e objetos de Lagomarsino que continham manchas suspeitas. Os objetos haviam sido confiscados pelas autoridades em março, seguindo uma ordem judicial aberta pela ex-mulher de Nisman, Sandra Arroyo Salgado.

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Lagomarsino é investigado judicialmente por ter emprestado a Nisman uma pistola da qual ele não era o ‘legítimo usuário’, o que é considerado crime na Argentina. Estreito colaborador do promotor na investigação do atentado contra a associação judaica Amia, em 1994, admitiu em depoimento que cedeu temporiaramente ao promotor a arma calibre 22 da qual saiu o disparo fatal. Nisman morreu no banheiro do seu apartamento em Buenos Aires em 18 de janeiro, três dias após acusar a presidente Cristina Kirchner de tentar acobertar os responsáveis iranianos pelo ataque. O analista de informática foi demitido no dia 9 de fevereiro de seu cargo de assessor judicial.

O técnico em informática afirma que emprestou a arma a Nisman porque o promotor queria defender suas filhas de uma eventual confusão nas ruas. Uma análise independente realizada por legistas a pedido de Sandra informou que “Nisman não sofreu um acidente, não se suicidou, mas foi morto”. As investigações independentes apontam que o caso deve ser tratado como “morte duvidosa”.

Frente às acusações de Nisman, o governo argentino tentou de todas as maneiras desqualificar o trabalho do promotor e chegou a classificá-lo de “sem-vergonha”. Uma reportagem de VEJA, no entanto, ouviu ex-chavistas que confirmaram o conluio tramado entre a Argentina e o Irã e afirmaram que o acerto teve também a participação da Venezuela, combinada em encontros entre os ex-presidentes Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad.

(Da redação)