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Pequim acusa EUA de criarem ‘inimigo imaginário’ e demonizarem China

Posição foi defendida durante rara conversa de representantes do alto escalão, em visita da número dois da diplomacia americana ao país asiático

Por Caio Saad 26 jul 2021, 11h04

Em uma rara conversa de representantes do alto escalão, a China acusou os Estados Unidos nesta segunda-feira, 26, de “demonizarem” o país, adotando um tom mais duro durante visita da secretária-assistente de Estado americana, Wendy Sherman, à cidade portuária de Tianjin.

Segundo um comunicado divulgado pela Chancelaria chinesa, o vice-chanceler Xie Feng disse a Sherman que os EUA têm interesse em “reacender o senso de propósito nacional colocando a China como um inimigo imaginário”. Desta maneira, Washington mobilizaria suas forças para suprimir Pequim, segundo o diplomata.

“A esperança pode ser que, ao demonizar a China, os Estados Unidos poderão de alguma maneira (…) culpar a China por seus próprios problemas estruturais”, disse, segundo o comunicado. O documento também acrescenta que a relação entre os dois países está “estagnada e enfrenta sérias dificuldades”.

Em entrevista a jornalistas, o porta-voz do Ministério das Relacões Exteriores, Zhao Lijian, afirmou que Pequim apresentou uma lista de exigências, incluindo a suspensão de sanções contra autoridades, impostas em março, e de restrições de vistos a estudantes.

Ele também solicitou o fim dos pedidos de uma nova investigação sobre as origens do coronavírus na China, em mais uma advertência para que “parem de pisar nas linhas vermelhas”.

A número dois da diplomacia americana chegou à China no domingo para reuniões em um momento de acirramento de tensão entre os dois países. Antes dela, o enviado especial de Washington para o clima, John Kerry, era o único funcionário do alto escalão do governo Biden a visitar a China, em abril.

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Nesta segunda-feira, Sherman também deve se reunir com o chanceler chinês, Wang Yi.

No domingo, o diplomata já havia conversado com empresários americanos sobre “desafios enfrentados no país”, depois de alertar que Pequim não aceitaria que Washington adotasse uma posição de superioridade na relação entre os dois. A fala seguiu o anúncio de sanções contra Wilbur Ross, ex-secretário de Comércio americano.

Conforme citado por autoridades dos EUA à agência Reuters, é esperado que a posição de Sherman durante as reuniões seja de que os EUA aceitam a competição de Pequim, mas insistem que as condições sejam iguais e que haja “grades de proteção” para evitar conflitos.

Elevando tensões, em março, Washington, junto à União Europeia, Canadá e Reino Unido, apresentou novas sanções à China por supostas violações de direitos humanos na região autônoma de Xinjiang.

O episódio representou as primeiras sanções europeias contra Pequim desde um embargo de armas após o episódio conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, em julho de 1989. As medidas restritivas consistem na proibição de que estas pessoas entrem no território comum europeu e o congelamento de bens e ativos que possuírem dentro da União Europeia.

Em resposta, Pequim determinou medidas similares contra dez representantes europeus.

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