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Pela 1ª vez, papa Francisco vai à América (e à Cuba)

Francisco desembarca neste sábado em Havana e na próxima terça nos EUA. Ele vai cumprir uma agenda diplomática que inclui encontros com políticos e discurso na ONU

Por Da Redação - 19 set 2015, 08h39

Neste sábado, o papa Francisco desembarca em Havana pela primeira vez desde que assumiu o cargo mais alto do Vaticano, em 2013. Além de Cuba, na agenda do papa também está uma visita – também inédita – aos Estados Unidos. Francisco será o terceiro pontífice a visitar Cuba, mas é o primeiro a testemunhar o tremular da bandeira americana na ilha comunista.

A presença de Cuba e Estados Unidos no mesmo roteiro de viagem é apenas o primeiro passo para reforçar o apoio do Vaticano à reaproximação entre os dois países após um rompimento que durou mais de cinco décadas. Na quinta-feira passada, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, afirmou que a Santa Sé é contrária ao embargo americano a Cuba e apoia a revogação das sanções. “O embargo causa angústia e sofrimento para a população que, digamos, padece”, disse Parolin em uma entrevista ao Centro Televisivo Vaticano. De acordo com o cardeal, “é de se esperar que uma medida deste tipo [o fim do embargo econômico e comercial] possa trazer maior abertura do ponto de vista da liberdade e dos direitos humanos”. O Vaticano ainda não confirmou, mas sinalizou que Francisco pode ter um encontro com o ex-ditador cubano Fidel Castro.

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Em seus três dias em Cuba, o papa percorrerá Havana, onde celebrará uma grande missa na Praça da Revolução e se reunirá com Raúl Castro; Holguín, província que pela primeira vez receberá um papa; e Santiago de Cuba, onde irá ao Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira do país. Estima-se que 60% dos 11,1 milhões de habitantes de Cuba sejam católicos, levando-se em conta a população que foi batizada – a porcentagem de cubanos que frequenta missas regularmente gira em torno de 2%. Antes de Francisco, a ilha comunista recebeu a visita de João Paulo II, em janeiro de 1998, e de Bento XVI, em março de 2012 – em 98, o então bispo Jorge Bergoglio integrou a comitiva que acompanhou João Paulo II a Cuba.

Catolicismo diminui nos EUA – Na terça-feira, Francisco embarca para os EUA em viagem que passará por Washington, Nova York e Filadélfia. É a primeira vez que o sumo pontífice visitará é um país com menos católicos do que viu seu antecessor, Bento XVI, em 2008, e agora tem paróquias mais latinas do que tinha em 1965 quando esteve Paulo VI. Desde a visita de Paulo VI, 70% do crescimento da população católica nos Estados Unidos se deveu à imigração hispânica, uma comunidade formada por mais de 20 nacionalidades que transformou o modelo paroquial.

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Para os católicos que chegaram da Europa no século XIX e na primeira metade do século XX, a paróquia era um importante centro de identidade nacional. Assim, em um raio de dois quilômetros era possível ver uma igreja italiana, uma irlandesa, uma alemã e uma polonesa. “Esse modelo de paróquia nacional foi superado com o grande e acelerado crescimento da comunidade hispânica católica. Chegou um momento em que essas primeiras paróquias de mexicanos e porto-riquenhos enchiam muito rápido”, explicou Mar Muñoz, diretora-executiva do Departamento de Diversidade Cultural da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).

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O peso e a diversidade nacional da imigração católica hispânica impulsionaram a paróquia multicultural, mas apesar do empurrão da imigração latina, o número de católicos nos Estados Unidos diminuiu nos últimos anos, de 23,9% da população em 2007 para 20,8% em 2014, segundo os últimos dados do Pew Center. “O desafio são os jovens. A Igreja Católica tem que aprender a falar com as próximas gerações. Há muito pouca atenção aos hispânicos nascidos aqui, que são 60%”, analisou Mar.

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A atribulada agenda inclui encontro com Barack Obama na Casa Branca, visita ao Congresso americano, reunião com religiosos na Catedral de São Patrício, em NY, discurso na sede da Organização das Nações Unidas, encontro inter-religioso no Marco Zero (memorial onde havia as duas torres do World Trade Center) e procissão no Central Park, além de missas e encontros com imigrantes, sem-teto e presidiários.

(Da redação)

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