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Pedro Sánchez fracassa novamente em tentar formar um governo na Espanha

O líder interino tem agora até 23 de setembro para negociar uma coalizão, caso contrário será obrigado a convocar novas eleições

O Parlamento da Espanha se recusou novamente nesta quinta-feira, 25, a nomear Pedro Sánchez para um novo mandato como primeiro-ministro. O líder socialista recebeu 124 votos a favor e 155 contra.

Ao todo, 67 deputados se abstiveram, entre eles os parlamentares da legenda de esquerda radical Podemos (UP), com quem Sánchez e seu Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) negociavam para formar uma coalizão.

Antes mesmo da votação, contudo, o atual premiê interino admitiu o fracasso das conversas para formar um governo.

“A abstenção da UP é uma oportunidade histórica que se desvanece”, afirmou Sánchez, revelando ao Parlamento as diversas oportunidades de coalizão que o PSOE ofereceu à UP e que este partido rejeitou.

Diante da derrota, Sánchez tem agora uma última oportunidade de tentar formar um governo. O líder interino tem até 23 de setembro, caso contrário será obrigado a convocar novas eleições – a quarta em quatro anos.

Se houver acordo, a Espanha terá seu primeiro governo de coalizão à esquerda desde 1936, quando eclodiu a guerra civil.

Sánchez chegou ao poder em junho de 2018, com apoio dos partidos separatistas, após Mariano Rajoy (PP) ter sido destituído por causa de um escândalo de corrupção.

Em fevereiro deste ano, o socialista convocou novas eleições, porque o Congresso rejeitou a sua proposta para o orçamento de 2019. Sánchez saiu vitorioso novamente, mas não conseguiu a maioria parlamentar e agora depende de uma coalizão para consolidar seu segundo mandato.

Na terça-feira 23, o Parlamento já havia rejeitado o apoio a Sánchez, em uma primeira votação por 24 votos a favor e 170 negativos. A deliberação anterior requeria a maioria absoluta (176 deputados), mas hoje o premiê precisaria apenas da maioria simples, que seria possível com o apoio do UP e de outros abstencionistas.

Em seu discurso antes da votação nesta quinta, Sánchez afirmou que desejava formar um governo com o Podemos, mas “não a qualquer preço”.

O premiê interino também criticou o líder da frente de esquerda, Pablo Iglesias, que queria entrar no governo espanhol “para controlá-lo”, já que com 25% dos deputados queria administrar 80% da despesa social.

Sánchez insistiu, em um discurso dirigido especialmente contra Iglesias, que o país deve ter “um governo coerente e coeso, não dois governos em um”.

O líder do UP exige que as pastas de Finanças, Trabalho, Igualdade, Habitação, Transição Ecológica e Ciência sejam comandadas por políticos do seu partido no novo governo.

O PSOE, em resposta, ofereceu ao partido o cargo de vice-primeiro-ministro para a área social, que seria entregue à vice-presidente e porta-voz do Podemos no Congresso, Irene Montero, mulher de Iglesias.

O UP, contudo, não aceitou a oferta. O partido da esquerda afirma que manterão até o “último minuto” as negociações para conseguir as pastas que desejam no governo.

(Com EFE e AFP)