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Pedidos de refúgio de venezuelanos no Brasil dobram em cinco meses

País é o terceiro maior destino de pedidos de asilo, com 65.846 requisições até o fim de setembro

O número de venezuelanos que solicitou refúgio no Brasil dobrou nos últimos cinco meses, segundo dados publicados pela ONU com base nas informações das autoridades brasileiras.

De acordo com os registros, 65.846 venezuelanos fizeram a solicitação de asilo no país até o fim de setembro. Em abril, eram 32.700 pedidos.

Nesta terça-feira ,16, será realizada em Brasília uma reunião ministerial para debater a situação da Venezuela, além de buscar coordenação para um fluxo de imigrantes, que continua sendo intenso. No encontro, o governo deve receber os números atualizados da Polícia Federal sobre a entrada de venezuelanos e dos refúgios solicitados.

Mas, segundo dados já passados à ONU pela PF, o Brasil é o terceiro maior destino de pedidos de asilo de venezuelanos. O país que mais recebeu solicitações de emigrantes da Venezuela foi o Peru, com 133.000 solicitações oficiais. O segundo destino são os Estados Unidos, com 72.000 requisições.

O quarto país ao qual os venezuelanos mais solicitaram asilo é a Espanha, seguida por Equador, Costa Rica e Panamá. A Colômbia aparece na 12ª posição, com 2.057 pedidos até junho de 2018.

O número de solicitações de asilo, contudo, não reflete o total da população venezuelana que cruzou a fronteira. Trata-se apenas do registro daqueles que pretendem ficar nos países e consideram que estão sendo alvo de perseguições na Venezuela.

No Brasil, se atendidos, os refugiados receberão todo os benefícios de um cidadão brasileiro, salvo a nacionalidade e os direitos políticos.

No total, 346.000 venezuelanos já solicitaram essa proteção oficial em algum país pelo mundo, número que, em 2018, já é maior que os refugiados sírios. Cerca de 80% desses venezuelanos estão apenas em três países: Peru, Estados Unidos e Brasil.

Residência

Além desses pedidos de asilo, existem pelo menos 19.000 de venezuelanos que solicitaram residência no Brasil por meio de outros mecanismos de regularização. Segundo levantamento, 383.000 venezuelanos pediram residência como imigrantes na Colômbia, 114.000 no Peru e outros 100.000 no Panamá.

Na ONU, os dados revelam também que a falta de recursos é uma realidade para lidar com esse novo fenômeno regional. Dos 46 milhões de dólares que a entidade solicitou da comunidade internacional para a emergência na Venezuela, apenas 55% do montante conseguiu ser arrecadado.

Apesar de ser contrário ao regime de Nicolás Maduro, o governo americano contribuiu com apenas 12 milhões de dólares.

A organização estima que hoje cerca de 2 milhões de venezuelanos estejam espalhados pelas Américas, o que cria a necessidade de uma coordenação permanente para garantir o atendimento a essa população.

Em um dos documentos, as Nações Unidas não escondem a dimensão da crise. “Com mais de 2,6 milhões de refugiados e migrantes fora da Venezuela, a América Latina está vivendo o maior êxodo de sua história”, declarou a organização.

Em visita à Colômbia, na semana passada, o alto-comissário das Nações Unidas para refugiados, Filippo Grandi, defendeu a posição de que a comunidade internacional deve fazer mais para ajudar os milhares de venezuelanos que cruzam fronteiras diariamente em busca de proteção internacional.

“O fluxo constante de venezuelanos que entram na Colômbia causa enormes desafios para atender as necessidades humanitárias de todos”, afirmou Grandi. Apenas na Colômbia, 4.000 venezuelanos cruzam a fronteira por dia. Segundo Grandi, uma estratégia regional precisa ser desenvolvida com urgência.

(Com Estadão Conteúdo)