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A canonização de Paulo VI, o papa que provocou liberais e conservadores

O arcebispo salvadorenho Óscar Romero, defensor dos pobres, será canonizado no mesmo dia

Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o papa Paulo VI, será canonizado neste domingo, dia 14.  O pontificado de Paulo VI (1963-1978) ficou marcado por vários fatos emblemáticos. O principal deles, a condução e conclusão do Concílio Vaticano II, o maior marco na modernização litúrgica e doutrinal da Igreja. A assembleia propôs a participação do bispado nas decisões da Santa Sé, de maneira semelhante ao que acontecia nos primórdios eclesiásticos. Aposentou o latim e permitiu que a missa fosse celebrada no idioma de cada país. Tirou a obrigação do uso da batina e abriu espaço para movimentos sociais.

Paulo VI foi um papa que desafiou tanto os liberais como os conservadores. Em 1968, publicou a polêmica encíclica Humane Vitae, documento que defendeu a postura tradicional da Igreja sobre aborto e anticoncepcionais. Defendeu pobres, trabalhadores, pregou as mensagens sociais do Evangelho e nomeou cardeais progressistas. Chegou a ser chamado pela imprensa e fieis de marxista.

Evangelizador, foi o primeiro pontífice a viajar para os cinco continentes.  Simples, dispensou o uso da tiara papal, tradicionalíssima cobertura para a cabeça ornamentada com pedras preciosas e pérolas. Depois dele, nenhum outro usou. 

O milagre atribuído a Paulo VI foi a salvação de uma menina nascida prematuramente em 2014. O papa italiano será o terceiro chefe da Igreja canonizado durante o pontificado de Francisco. Em 2014, João Paulo II e João XXII, tornaram-se santos.

O arcebispo salvadorenho Óscar Romero (1917-1980) será canonizado no mesmo dia do pontífice italiano. Romero  representa uma Igreja comprometida com os pobres. Denunciou as perseguições aos camponeses expulsos de terras em seu país.  O milagre do arcebispo teria sido a cura de uma senhora de uma síndrome rara e grave na gravidez.