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Pastor é preso após ameaçar queima de exemplares do Corão

Terry Jones, um conhecido detrator do Islã nos EUA, transportava churrasqueira e quase 3.000 exemplares do livro sagrado na Flórida

Por Jean-Philip Struck - 12 Sep 2013, 10h26

O pastor Terry Jones, um controverso detrator do Islã nos Estados Unidos, foi preso na quarta-feira no estado da Flórida enquanto transportava em uma picape 2.998 exemplares do Corão (o livro sagrado dos muçulmanos) encharcados em querosene e uma churrasqueira. Nesta semana, o pastor havia anunciado a intenção de incinerar os exemplares em protesto aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Segundo o jornal Orlando Sentinel, porém, a prisão de Jones não ocorreu por causa da intolerância religiosa, mas porque ele “transportava combustível irregularmente” e estava carregando explicitamente uma arma de fogo em público, o que é proibido no estado. Jones pretendia queimar os quase 3.000 livros em um parque na cidade de Tampa, no oeste do estado. A quantidade de exemplares foi escolhida para simbolizar o número de mortos nos atentados de 2001.

Nesta quinta-feira, Jones e outro pastor que viajava com ele continuavam presos em uma cadeia do condado de Polk.

Histórico – Líder de uma minúscula congregação de Gainsville, no norte da Flórida, que possui pouco mais de cinquenta membros, Jones, de 61 anos, ganhou os holofotes pela primeira vez em 2010, quando também ameaçou queimar exemplares do Corão em um protesto contra os atentados de 11 de setembro.

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À época, autoridades do governo dos EUA, entre elas o próprio presidente Barack Obama e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, condenaram publicamente o pastor e disseram que sua ações poderiam incitar a violência contra americanos em países islâmicos. Em 9 de setembro de 2010, Jones anunciou que o evento havia sido cancelado.

No entanto, em março de 2011, o pastor finalmente queimou um exemplar do livro na sede da sua igreja, durante a encenação de uma espécie de “julgamento do Islã”. A divulgação da notícia rendeu centenas de ameaças de morte contra Jones e causou a fúria de milhares de muçulmanos pelo mundo.

No Afeganistão, o ataque a uma instalação da Organização das Nações Unidas (ONU) em Mazar-i-Sharif foi ligado aos protestos contra Jones. Na ocasião, doze pessoas morreram – três delas eram funcionárias estrangeiras da organização. Mas a partir daí, Jones foi praticamente desaparecendo do noticiário. Em 2012, ele voltaria a queimar um exemplar do Corão, mas a notícia não teve o mesmo impacto.

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