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Passageiro sugado para fora de avião da Ryanair conta o que se lembra do acidente

Voo estava a 4.500 metros de altitude e mais de 600 km/h quando a cabine despressurizou e Ljubisa Karovic, 61, quase foi expelido pela janela

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 10h20 | Atualizado em 22 jul 2026, 11h13
Passageiro sugado para fora de avião da Ryanair conta o que se lembra do acidente Priorizar nos meus resultados Google

Poucos minutos após decolar de Tessalônica, na Grécia, com destino à Alemanha, um avião da Ryanair precisou retornar ao aeroporto de origem depois que uma janela da cabine de passageiros se rompeu durante o voo e sugou para fora um homem, que ficou com a parte superior do corpo na parte externa, até a altura dos ombros.

Nesta quarta-feira, 22, em sua priemeira entrevista após o acidente, o sérvio Ljubisa Karovic, 61 anos, afirmou acreditar que o cinto de segurança e a fé foram decisivos para escapar com vida naquele 10 de julho. Ele contou que estava dormindo no assento 11 F junto à janela quando foi acordado por um estrondo antes de ser sugado para fora.

“Tenho sorte. Não me lembro de muita coisa, e minha cabeça e meu pescoço ainda doem, mas estou vivo. Pode ter sido o cinto de segurança. Talvez tenha sido o destino. Acredito em Deus e agradeço a Ele todos os dias”, disse o homem ao jornal britânico The Guardian. Segundo ele, o barulho que precedeu o acidente ainda o persegue: “É o ruído que ouço sempre que fecho os olhos para dormir.”

Segundo seu advogado, Vasilis Tsiaras, a cabine perdeu pressão e o passageiro foi arremessado para fora da aeronave da altura do peito para cima, perdendo a consciência. O voo estava a cerca de 4.500 metros de altitude e mais de 600 km/h.

Ajuda de passageiros

A esposa de Ljubisa, Svetlana Karovic, que estava sentada três fileiras atrás, relatou que outros passageiros impediram que o marido fosse completamente lançado para fora do avião. Ela disse ao Guardian que uma pessoa conseguiu bloquear a abertura da janela com uma mala. Antes, uma bolsa já havia sido usada, mas foi sugada para fora da aeronave.

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“Corri para lá também. Nenhum dos comissários de bordo ajudou. Foram os passageiros”, destacou Svetlana. “Um homem, acho que era albanês, foi incrível. Ele fez tudo o que pôde para trazer meu marido para dentro e depois tentou bloquear a janela. Seremos eternamente gratos a ele.”

A Ryanair, por sua vez, afirmou ao Guardian que a tripulação seguiu todos os protocolos de segurança, auxiliou o Ljubisa quando desceu do avião e providenciou atendimento médico durante e após o pouso de emergência em Salônica. A família e o advogado contestam essa versão.

“Usem cinto de segurança”

Karovic recebeu alta do hospital poucos dias após o incidente, mas segue usando um colar cervical e deve passar por novas avaliações de saúde. Os médicos afirmaram que a recuperação será lenta e ainda não descaram a necessidade de cirurgia.

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Apesar de ter sobrevivido, Ljubisa contou ao Guardian que não consegue imaginar voltar a viajar de avião. “As imagens continuam voltando, o som da explosão e o caos”, afirmou. Ele afirmou que vai buscar indenização da companhia aérea e apelou: “Usem cinto de segurança. Não quero que ninguém passe pelo que eu passei.”

Vídeos publicados nas redes sociais mostram o interior da cabine com uma janela destruída e máscaras de oxigênio acionadas.

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O episódio remete ao acidente ocorrido em 2018 com um Boeing 737 NG da Southwest Airlines, nos Estados Unidos. Na ocasião, a quebra de uma pá do motor lançou destroços contra a fuselagem, rompendo uma janela e provocando uma despressurização explosiva. Uma passageira de 43 anos foi parcialmente sugada para fora da aeronave e morreu em consequência dos ferimentos.

A investigação levou o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) a recomendar mudanças no projeto da carenagem do motor do modelo 737 NG. Desde então, as autoridades também determinaram inspeções mais frequentes nas pás do ventilador dos motores para reduzir o risco de novas falhas.

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Até o momento, não há indicação de que o incidente envolvendo o voo da Ryanair tenha a mesma origem do acidente registrado nos Estados Unidos.

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