Passa de 1.000 o número de mortos em inundações no Nepal e Tibete
Com necrotérios lotados, autoridades nepalesas autorizam sepultamentos sem identificar corpos. Esforços continuam para encontrar 4.500 desaparecidos
O balanço de mortos nas enchentes repentinas que atingiram a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, um território autônomo da China, ultrapassou, nesta terça-feira, 1º de setembro, a marca de 1. 000 pessoas, enquanto as equipes de resgate continuam procurando sobreviventes entre a lama e os escombros. Quase 4. 500 seguem desaparecidos seis dias após a tragédia, que viu um tsunami de lama engolir casas, estradas, pontes e usinas elétricas após o colapso de uma geleira.
Segundo o balanço, ainda provisório, os dois países contabilizam 1. 003 fatalidades: 987 no Nepal e 16 na China. Com todos os necrotérios lotados, as autoridades nepalesas autorizaram no domingo, por razões sanitárias, o sepultamento das primeiras vítimas, sem esperar a identificação formal.
Em solo chinês, também foram organizadas cerimônias nesta terça, no distrito de Gyirong, onde fica um posto fronteiriço que foi extremamente afetado. Socorristas, autoridades locais e moradores respeitaram um minuto de silêncio em memória das vítimas, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
Embora as esperanças de encontrar sobreviventes diminuam com o passar dos dias, as equipes de resgate continuam explorando, no lado nepalês, vários túneis nos quais poderiam estar refugiados quase 100 operários, que trabalham nas obras de diversas represas e projetos hidrelétricos. Com a ajuda de explosivos, equipamentos de perfuração e escavadeiras, os socorristas conseguiram abrir caminho até vários túneis, mas até o momento só conseguiram retirar alguns cadáveres.
“Concentramos nossos esforços nos túneis, nosso trabalho continua”, declarou nesta terça um porta-voz do Exército, Raja Ram Basnet.
Busca por desaparecidos
Especialistas procedentes da Índia, da China e da Coreia do Sul se uniram às equipes nepalesas que trabalham há vários dias, apesar da inicial recusa nepalesa em aceitar ajuda para os resgates. Autoridades do estado indiano de Uttar Pradesh também anunciaram que recuperaram 17 corpos a algumas dezenas de quilômetros em um rio próximo do local da catástrofe e iniciaram o processo de identificação.
No distrito de Nuwakot, ao longo do vale devastado pela avalanche, as equipes de resgate continuam removendo os escombros dos vilarejos soterrados pela lama.
No lado chinês, mais de 2 mil socorristas também estão mobilizados nas operações de busca por sobreviventes ou para restabelecer as comunicações nas áreas atingidas, informou a Xinhua. Os esforços se concentram na reabertura da estrada que leva ao posto fronteiriço China-Nepal, em Gyirong.
O número de desaparecidos é de 4. 462 pessoas: 3. 916 no Nepal e 546 no Tibete. Entre eles estão centenas de turistas, peregrinos ou trabalhadores estrangeiros: 583 no Nepal, procedentes de mais de 30 países, e 261 na China, de 23 países.
Somente no Nepal, 639 pessoas empregadas em usinas hidrelétricas ou em obras de barragens estão desaparecidas.
O número de desaparecidos é de 4. 462 pessoas: 3. 916 em território nepalês e 546 no Tibete, segundo as autoridades.
Em Katmandu, capital nepalesa, as famílias que buscam desesperadamente os parentes colocam fotografias em um muro do hospital universitário, a última esperança de obter informações sobre seu destino. “Tenho esperança de encontrar seus corpos”, disse à agência de notícias AFP Debu Sapkota, um motorista de 58 anos, que foi ao local com as fotos de sua sogra, de 83 anos, e de sua neta, desaparecidas na cidade de Trishuli Bazaar.
Acusações contra a China
Os independentistas tibetanos acusam a China de minimizar deliberadamente o balanço da catástrofe em seu território. A organização Campanha Internacional pelo Tibete informou acreditar, com base em fontes locais, que o número de vítimas é “muito maior” do que mostram os dados divulgados por Pequim — os defensores de direitos descobriram que pelo menos 300 casas foram destruídas no lado tibetano da fronteira, colocando em xeque o saldo de 16 mortos.
Além disso, o debate público sobre a tragédia enfrenta restrições. Autoridades de segurança no Tibete anunciaram, no domingo 30, que puniram pelo menos 10 pessoas por compartilharem “informações falsas sobre o desastre”, sem dar detalhes sobre a natureza das punições. Em um dos casos, um usuário identificado apenas como Zhang contestou o número oficial de mortos, escrevendo: “Claramente, milhares de pessoas foram arrastadas. ”
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China declarou, na segunda-feira 31, que a divulgação de informações sobre as inundações foi transparente, denunciando críticas como “campanhas de difamação maliciosas e sensacionalismo”.







