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Partidos árabes apoiam Gantz para posto de primeiro-ministro de Israel

Presidente se reunirá com Benjamin Netanyahu e Benny Gantz ao mesmo tempo para pedir formação de governo de união

Pela primeira vez em mais de 25 anos, os partidos árabes de Israel apoiaram neste domingo 22 um candidato para o posto de primeiro-ministro. O escolhido foi o opositor Benny Gantz, da legenda Azul e Branco, na esperança de pôr fim ao longo reinado do premiê Benjamin Netanyahu.

A recomendação foi feita no primeiro dia de consultas do presidente, Reuven Rivlin, com os partidos políticos para escolher o candidato que estará encarregado de formar um governo de coalizão, depois das eleições legislativas de 17 de setembro.

O Azul e Branco de Benny Gantz obteve 33 cadeiras das 120 do Parlamento, contra 31 do Likud de Netanyahu. São necessários 61 assentos para governar.

Após a primeira consulta de Rivlin, aliados naturais e prováveis de Gantz sinalizaram suas intenções de formar um governo de coalizão com o Azul e Branco. Entre os que se propuseram a formar a aliança estava a Lista Unida, que agrupa as legendas árabes.

“Nos transformaram em um grupo ilegítimo para a política israelense, e como eles querem nos substituir, tomaremos nosso lugar”, disse o presidente Ayman Odeh, líder da lista, explicando sua decisão argumentando, que “o mais importante é tirar Netanyahu do poder”.

Com o apoio desses partidos e das demais legendas de centro e esquerda, Gantz teria 46 cadeiras. Porém, algumas horas depois do encontro com o presidente, três lideranças da Lista Unida voltaram atrás, reduzindo o apoio do Azul e Branco para 43 assentos.

Apesar da reviravolta, Gantz ainda aparece na frente de Netanyahu, que após as primeiras consultas de Rivlin teria 40 cadeiras para formar uma coalizão.

O partido Israel Nosso Lar, liderado por Avigdor Lieberman e que obteve 8 assentos, foi representando pelo parlamentar Oded Forer em seu encontro com o presidente, e informou que não recomendaria nenhum candidato e reiterou seu desejo de um governo de unidade que inclua o Azul e Branco e o Likud.

Essa decisão se deve, segundo Lieberman, a impossibilidade de recomendar Netanyahu, um aliado dos partidos ultra-ortodoxos aos quais sua formação se opõe, ou Gantz, que obteve a recomendação da Lista Unida Árabe, à qual o líder da Israel Nosso Lar é considerado um “inimigo”.

Governo de unidade

Apesar do resultado das consultas, o presidente de Israel vai se reunir, nesta segunda-feira, 23, à noite, com Benjamin Netanyahu e Benny Gantz para pedir a formação de um governo de união, segundo seu gabinete.

Netanyahu e Gantz defenderam a formação de um governo de união. No entanto, o líder do Azul e Branco disse que deveria liderá-lo, porque seu partido foi o primeiro nas eleições.

A situação chegou a gerar especulações sobre a realização de novas eleições, que seriam as terceiras em um ano, mas Rivlin afirmou que fará tudo ao seu alcance para evitar a convocação de uma nova votação.

(Com EFE e AFP)