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Partidos anti-UE se destacam nas eleições europeias

Eleitores de 21 nações escolheram candidatos para ocupar cadeiras no Parlamento no primeiro pleito após a crise econômica que afetou o bloco

Partidos contrários à União Europeia e de extrema direita tiveram ganhos significativos nas eleições para o Parlamento Europeu, segundo pesquisas de boca de urna e números oficiais. Neste domingo, eleitores de 21 nações escolheram seus candidatos para ocupar cadeiras no Parlamento. A derrota dos maiores partidos foi particularmente forte na França, no Reino Unido, na Grécia e na Dinamarca, onde eurocéticos conquistaram a maior parte dos votos, apesar das expectativas dos governantes de manterem seus partidos no poder. Cerca de 43% dos eleitores foram às urnas – o mesmo comparecimento de 2009, segundo projeções iniciais do Parlamento.

Centristas no geral, os partidos pró-Europa ainda devem ter ampla maioria na nova legislatura, que toma decisões sobre as leis da UE com governos nacionais. No entanto, a oposição – agora mais forte – pode complicar a aprovação de medidas quando os maiores partidos estiverem divididos, inclusive em relação ao acordo de livre comércio com os EUA.

As primeiras eleições europeias após anos de crise foram vistas como um sinal da falta de popularidade dos programas de resgate e austeridade que afetaram mais de 500 milhões de pessoas e algumas das maiores economias do mundo. O novo Parlamento terá que encontrar maneiras de impulsionar a economia do bloco e lidar com questões controversas, como a imigração.

No Reino Unido, o eurocético Partido da Independência do Reino Unido (Ukip) venceu a votação para o Parlamento Europeu, derrotando o partido do primeiro-ministro britânico, David Cameron, um ano antes das eleições gerais do país. Na França, as pesquisas de boca de urna indicam a vitória do partido de extrema direita Frente Nacional. Na Grécia, o partido radical de esquerda e eurocético, Syriza, lidera o resultado, devendo conquistar cerca de 27% dos votos. Enquanto isso, o partido de extrema-direita do país, Aurora Dourada, teria recebido 9% dos votos, sugerindo que ele deve conquistar suas primeiras cadeiras no Parlamento Europeu.

Na Dinamarca, o Partido do Povo, de direita, deve alcançar a votação recorde de 26,7% e quatro cadeiras no Parlamento Europeu, com mais de 90% dos votos contados. Já na Itália, o Partido Democrático de centro-esquerda, liderado pelo jovem primeiro-ministro Matteo Renzi, parece ter vencido as eleições no país com 33% dos votos, segundo pesquisas de boca de urna. Se o resultado se confirmar, a votação será um grande sucesso para Renzi, que enfrentou seu primeiro teste eleitoral depois de ter chegado ao poder em fevereiro.

A oposição dos eleitores às medidas de austeridade adotadas por diversos governos da UE ficou mais evidente em Portugal e na Espanha. O principal partido socialista de oposição em Portugal emergiu como o mais forte nas eleições para o Parlamento Europeu, com cerca de 35% dos votos, segundo pesquisa de boca de urna. O levantamento também mostrou que os partidos da coalizão de governo – o Partido Social Democrata de centro-direita e o Centro Democrático Social – terão entre 25% e 29% dos votos.

Na Espanha, o partido governista conquistou a maioria dos votos e derrotou seu principal adversário, o Partido Socialista, mas ambos perderam terreno para partidos menores. O cenário é a capitalização do descontentamento em relação à economia em dificuldades e aos escândalos de corrupção. Os dois partidos, que dominaram o cenário político espanhol por mais de três décadas, apresentaram performance bem pior do que nas eleições europeias de 2009.

(Com Estadão Conteúdo)