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Partido Trabalhista inglês escolhe líder da extrema esquerda

Derrotada na última eleição, a oposição trabalhista coloca na sua liderança Jeremy Corbyn, aquele que definiu a morte de Bin Laden como "uma tragédia", defende um salário máximo para executivos e quer a retirada da Inglaterra da Otan

O Partido Trabalhista inglês escolheu no sábado, 12, seu novo líder, o advogado Jeremy Corbyn, de 66 anos. Ele obteve 59% dos votos nas eleições partidárias. A escolha representa um deslocamento do partido mais para a esquerda. Corbyn é radicalmente contra os cortes orçamentários e os investimentos militares. Também prega a elevação de impostos para os mais ricos e a criação de um “salário máximo” para os executivos.

Corbyn também defende mais gastos sociais, com educação e saúde gratuita para todos, o que elevaria o gasto público. Ele também apoia mais impressão de dinheiro pelo Banco da Inglaterra, o que causa inflação.

Sua retórica é mais apropriada dos anos 1980 e vai na contramão da linha do ex-primeiro-ministro Tony Blair, que levou seu partido mais para o centro do espectro político e, com isso, foi o trabahista que mais tempo ocupou o cargo.

Em política externa, Corbyn é ainda mais polêmico. Ele já chamou a morte de Osama Bin Laden, da Al Qaeda, morto em uma operação americana no Paquistão de “uma tragédia”. Para ele, a Inglaterra deveria falar com todos os grupos, incluindo os terroristas do Hamas e do Hezbollah. Corbyn pede a retirada de seu país da Otan e é contra os bombardeios ao Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria.

Em maio, o Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, venceu as eleições e conquistou a maioria no Parlamento. Mesmo colocando em práticas políticas de austeridade, como os cortes no orçamento, os eleitores confiaram no partido que conseguiu retomar o crescimento econômico (previsão de 2,7% este ano), gerar empregos e manter a inflação em baixa próxima de zero.

A derrota deixou o Partido Trabalhista sem rumo. Seus membros agora apostam em Jeremy Corbyn.