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Partido que planeja impor estado religioso é o segundo mais votado no Peru

Entre os projetos da Frente Popular Agrícola está a dissolução das grandes cidades e incorporação dos 10 Mandamentos à Constituição

Por Ernesto Neves - Atualizado em 4 fev 2020, 18h30 - Publicado em 4 fev 2020, 17h28

Ainda sob os efeitos do caos político que em 2019 levou o presidente Martín Vizcarra a dissolver o Congresso, os peruanos conheceram nesta terça (4) a nova – e bizarra – configuração política do país.

As eleições legislativas aconteceram no domingo (26), mas só agora, com com 90% das urnas apuradas, têm-se a dimensão do terremoto eleitoral.

Com mais de 1,1 milhão de votos, 9% do eleitorado, a Frente Popular Agrícola do Peru (Frepap) conquistou 15 cadeiras das 130 cadeiras Congresso, passando a ser a segunda força mais importante da Casa. 

Perdeu apenas para o tradicional Ação Popular, de centro-direita, que ficou com 10% das urnas, cerca de 1,4 milhão de votos.

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A legenda tem como símbolo o peixe do cristianismo, sendo formada por evangélicos ultraconservadores.

Apesar do slogan “o agro no poder”, seu programa interno inclui delírios como a dissolução de grandes cidades, que teriam seus moradores levados para áreas rurais.

Integrantes do partido já foram classificados como seguidores de culto Reprodução/Reprodução

Dessa forma, acreditam, a agricultura seria fortalecida e reduziria-se a pobreza.

Outra proposta é a incorporação dos Dez Mandamentos bíblicos à Constituição e o “reconhecimento da Lei Divina” como combate à corrupção.

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Pregam ainda a criação de uma administração pública descentralizada, uma forma de reviver o império inca.

Seus membros, classificados pela imprensa peruana como fanáticos, afirmam que o Peru é a Israel do Ocidente – seja lá o que isso signifique.

O partido foi fundado em 1989 por Ezequiel Ataucusi Gamonal. Membro da igreja adventista, ele deixou a congregação para fundar sua própria igreja. Seus seguidores acreditavam que ele era ninguém menos que Cristo na Terra.

A legenda participou de eleições anteriores, em 1990, 1995 e 2000, jamais obtendo mais de 1% do eleitorado. 

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Analistas locais avaliam que o atual crescimento foi impulsionado pelo voto de protesto. 

Desde 2016, o Peru enfrenta grave crise política. Executivos delatores da Odebrecht revelaram pagamentos de quase 30 milhões de dólares em propinas no país entre 2005 e 2014, em troca de contratos de R$ 143 milhões. 

Quatro ex-presidentes foram envolvidos. Três estão presos — entre eles o respeitado economista PPK, eleito com uma plataforma anticorrupção e pró-liberalismo econômico.

O quarto, Alan García, suicidou-se quando a polícia chegou com a ordem de prisão.

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“Não devemos estigmatizar ninguém. A Frente Popular Agrícola representa o sentimento das pessoas que votaram por eles e apoiam suas propostas”, disse Vizcarra sobre os novos colegas de legislativo que mais parecem personagens de novela da Record.

 

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