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Partido exige respostas sobre violação de dados na Alemanha

Vazamento de informações sobre até 1.000 celebridades e membros de todos os principais partidos é um dos maiores do país

Parceiro na coalizão da chanceler Angela Merkel, o Partido Social-Democrata (SPD) exigiu neste domingo, 6, que o ministro do Interior descubra rapidamente o que agências de segurança da Alemanha sabiam sobre um dos maiores vazamentos de dados do país.

A violação chocou as instituições na Alemanha e pode abalar novamente a desajeitada “grande coalizão”, que já sofre de disputas internas e com a diminuição do apoio popular.

O governo anunciou na sexta-feira, 5, que dados pessoais e documentos de centenas de políticos alemães e figuras públicas, incluindo Merkel, foram publicados pelo Twitter, no que parece ser um dos maiores vazamentos de dados da Alemanha.

Autoridades estão investigando como as informações, que incluem endereços, números de telefone, conversas e números de cartão de crédito, foram obtidos e por quem.

Segundo a imprensa alemã, os hackers publicaram dados de até 1.000 celebridades e membros de todos os principais partidos do país, exceto da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita. Os partidos foram notificados do ataque e iniciaram as próprias investigações.

O vazamento de dados foi orquestrado a partir de uma conta no Twitter que tinha cerca de 17.000 seguidores no período de Natal.

Cobranças

Lars Klingbeil, secretário-geral do SPD, disse ao grupo de mídia Funke que o governo deve rapidamente esclarecer “o que e quais agências sabem exatamente e como isso foi tratado”.

“Isso deveria ser uma prioridade para (o ministro do Interior) Horst Seehofer. É sobre proteger nossa democracia”, acrescentou Klingbeil.

Seehofer disse ao Sueddeutsche Zeitung que só ficou sabendo do vazamento na manhã de sexta-feira, mas que compartilharia tudo o que descobrisse com o público e pretendia fazê-lo, o mais tardar, no meio da semana.

O ecologista Anton Hofreiter, líder do Partido Verde no parlamento, disse que o presidente da agência de defesa cibernética do BSI, Arne Schoenbohm, deve se explicar com urgência em uma reunião extraordinária do comitê parlamentar.

No sábado, o BSI defendeu seu papel em responder à violação de dados, dizendo que não poderia ter conectado casos individuais dos quais estava ciente no ano passado, até que todo o lançamento de dados se tornasse público na semana passada.

Em comunicado, o escritório reconheceu ter sido abordado por um legislador sobre atividades suspeitas em suas contas de e-mail e redes sociais no início de dezembro, mas disse acreditar que, naquele momento, a experiência dele era um caso único.

“O BSI levou este caso muito a sério e o levou ao Centro Nacional de Defesa Cibernética”, disse o órgão, em comunicado, acrescentando que não estava ciente da possibilidade de vazamento de dados online.

“Era impossível prever, no início de dezembro de 2018, que haveria outros casos”, disse o BSI.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)