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Partido de Putin sofre revés em eleições locais de Moscou

Após meses de protestos violentos e prisões arbitrárias, partidários governistas quase perdem a maioria no Parlamento da capital

Após meses de protestos em Moscou, a oposição conseguiu impor uma derrota simbólica ao partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, e a seus aliados nas eleições para o Parlamento da cidade neste domingo 8. Os candidatos pró-Putin perderam um terço de suas cadeiras, mas ainda assim garantiram a maioria na Casa.

Em todo o país, mais de 5.000 eleições foram realizadas no domingo. Os russos elegeram dezesseis governadores regionais e parlamentares locais de treze regiões, incluindo a Crimeia, a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014.

Em Moscou, os deputados do Rússia Unida, que antes ocupavam 38 dos 45 assentos do Parlamento, conseguiram conquistar apenas 25 cadeiras.

De acordo com a agência de notícias Interfax, nove legisladores do partido não foram reeleitos, incluindo Andrei Matelsky, que era eleito sem interrupção desde 2001.

A derrota, contudo, não incomodou as autoridades do Kremlin. O porta-voz, Dmitri Peskov, preferiu destacar o sucesso dos partidários de Putin no resto do país, afirmando que os resultados foram um grande êxito para o governo.

O atual prefeito de Moscou, Serguei Sobianine, disse em seu blog que essas eleições foram “talvez as mais emocionantes e competitivas da história recente”.

Protestos

O cenário de manifestações e descontentamento cada vez maior com o governo central impulsionou a oposição nas eleições na capital. Mais de 2.700 manifestantes foram presos nos últimos meses as ruas de Moscou, que foram tomadas por pessoas protestando contra Putin.

O presidente sofre uma queda em seus altos níveis de popularidade devido ao desempenho do país na economia, acusações de corrupção e à aprovação do aumento da idade mínima para a aposentadoria. Quatro pessoas foram sentenciadas a cumprirem penas devido aos protestos.

Oposição barrada

Assim como em eleições anteriores, porém, poucos candidatos da oposição foram autorizados a participar pelo governo. Segundo a Justiça Eleitoral, os documentos entregues pelos oposicionistas barrados estavam incompletos e as assinaturas de apoiadores que viabilizariam suas candidaturas eram falsificadas.

A oposição, contudo, contesta dizendo que o movimento serviu para barrar candidatos oposicionistas ao Kremlin de forma proposital.

Devido ao cenário com poucos candidatos críticos ao governo, Alexei Nalvani, líder da oposição e protagonista dos protestos nos últimos meses, pediu aos apoiadores que votassem “de forma inteligente” apoiando políticos mesmo que considerados como “oposição leal” ao Kremlin. A estratégia deu certo.

O Partido Comunista foi a sigla que ganhou mais assentos no Parlamento indo para treze, contra os cinco do mandato anterior. Em seguida veio o partido liberal Yabloko conquistando três cadeiras e elegendo uma candidata independente. Em terceiro lugar ficou o Rússia Justa, estreando com três cadeiras.

“Batalhamos juntos para conseguir isso. Obrigado a todo por sua contribuição”, declarou Navalni no Twitter, enquanto a advogada Liubiv Sibil, uma das líderes dos protestos, disse que o resultado “entrará para a história de Moscou”.

(Com AFP)